Corpo e movimento: uma reflexão sobre as relações da motricidade com a aprendizagem escolar - Artigos | NeuroSaber

Corpo e movimento: uma reflexão sobre as relações da motricidade com a aprendizagem escolar

Motricidade

Desde a elaboração das teorias de Piaget, sabemos que o desenvolvimento motor da criança tem destaque como requisito para a aprendizagem humana.  A motricidade é a expressão da ação voluntária, a qual deve compreender funções executivas, ritmo, persistência e controle inibitório para realizar uma tarefa ou uma expressão emocional de forma adequada, com eficácia e embutida de começo-meio-fim.  Na infância, ela assume papel primordial, pois nesta fase da vida as tentativas de acerto por meio do erro na forma de fazer e cumprir uma tarefa motora são o principal meio de aprender e memorizar estratégias.  Desta forma, o bom desenvolvimento motor durante os primeiros anos de vida alicerçam e lapidam a coordenação motora da criança, preparando-a para as etapas de aprendizagem que virão.

A motricidade se assenta num conjunto de habilidades que vão sendo desenvolvidas na infância e envolvem não somente o ato motor em si, mas também a percepção visual e sensorial, o equilíbrio, o tônus muscular, a lateralidade e o controle emocional. A integração e a maturação das diversas áreas cerebrais responsáveis por estas habilidades embasam e mediam uma boa ação motora. O desenvolvimento das mesmas durante o brincar, o pular, o montar, o desenhar, o recortar vão – pela repetição e o treino – melhorando e sofisticando a sequência organizada do processo motor. Outras funções cognitivas envolvidas são as executivas, a memória, a linguagem e as habilidades espaciais, as quais modulam a motricidade e, por ela, são também desenvolvidas e aprimoradas com o passar do tempo. Evidências mostram que ao cumprir uma tarefa com a ação motora, a criança aumenta a possibilidade de memorizá-la e consolidá-la em seu cérebro.

A aprendizagem é um processo que exige interação com o ambiente, com o espaço a sua volta e com as pessoas, e o movimento que a criança realiza a conecta com estes elementos num processo contínuo e evolutivo. Ao mesmo tempo, serve como um dos sinais clínicos de possíveis transtornos de desenvolvimento e de aprendizagem, os quais podem alterar ou atrasar o comportamento motor, levando a déficits em seu ritmo, persistência e controle inibitório, que podem ser observados precocemente durante os primeiros anos da criança e permitir que se inicie intervenção o mais cedo possível, antes que venha a trazer efeitos negativos em momentos mais avançados da aprendizagem escolar.

O trabalho constante e consistente da escola nos primeiros de vida criança, em direção ao bom desempenho motor da criança com atividades que desenvolvem a coordenação fina, as habilidades visuo-motoras e a capacidade criativa, prepara e engaja o aluno para as tarefas futuras que exigirão mais persistência e longevidade de ações.

4 Comentários
  1. Francisca Maria Moreira Moiola 1 mês atrás

    Matéria excelente, parabéns! Com certeza terá grande valia para minha práxis!

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