A prevalência do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

O TDAH é um problema de saúde pública e os estudos de prevalência do transtorno são fundamentais para monitorar a sua frequência e identificar fatores de risco. Saiba mais neste artigo.

O TDAH — transtorno de déficit de atenção e hiperatividade — é considerado um problema de saúde pública, pois seus sintomas podem comprometer a vida social, escolar e profissional do indivíduo. Pessoas com TDAH podem apresentar baixa estima e conflitos em seus relacionamentos pessoais, assim como redução do seu desempenho escolar e/ou profissional.

O conhecimento da prevalência de TDAH na população ajuda os governos a elaborar políticas de assistência à saúde, priorizando a prevenção, proteção e promoção da saúde na destinação de recursos.

Os estudos científicos sobre a prevalência do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) revelam informações sobre a frequência, severidade e curso do transtorno. 

TDAH: etiologia, diagnóstico e sintomas

Não há consenso sobre a etiologia (origem) do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. A ciência revela que se trata de uma síndrome heterogênea de origem multifatorial, integrando fatores genéticos, neurobiológicos, ambientais e múltiplos genes associados. 

Dessa forma, o diagnóstico de TDAH é realizado clinicamente, pela observação de sintomas listados no DSM — Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtorno Mental. Os três principais sintomas descritos no manual são: desatenção, hiperatividade e impulsividade, que levam a dificuldades na concentração, no controle de impulsos e à atividades motoras excessivas.

O que sabemos é que o TDAH é mais frequente em crianças e adolescentes, sendo que os sintomas podem ser percebidos na escola e em casa. Pais e professores, ao identificarem crianças que apresentem os sintomas descritos acima, devem procurar ajuda profissional para realizar o diagnóstico.

Prevalência do TDAH: porque é importante

O TDAH é considerado um transtorno grave com prejuízos significativos. Dessa forma, os estudos de prevalência se tornam imprescindíveis para monitorar a sua frequência na população, identificar fatores de risco e consequências na saúde pública.

Identificar a prevalência do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade ajuda a melhorar a qualidade de vida do indivíduo com TDAH e a encontrar formas de prevenção e controle. As informações coletadas nesses estudos são fundamentais para elaboração de políticas públicas eficazes que visam a promoção da saúde.

Segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), estudos de prevalência são importantes para o desenvolvimento da saúde pública. Isso porque investigam a frequência da doença na população e ajudam os governos a analisarem os possíveis fatores que a determinam.

Dados de um estudo de prevalência de TDAH

Um estudo da Universidade Federal do Pará — A prevalência do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): uma revisão de literatura — mapeou dados de 23 estudos de prevalência do TDAH realizados nos quatro continentes.

Os autores encontraram as maiores estimativas de prevalência em crianças de 3 a 6 anos — uma média de 25%. Com base em artigos e pesquisas, as amostras revelaram que, no Brasil, 7.6% dos estudantes investigados, de 6 a 17 anos, apresentaram sintomas de TDAH.

Em relação à prevalência do transtorno em crianças em todo mundo, a média encontrada foi de 11,26%. Ao analisarem os subtipos de TDAH: predominantemente desatento; predominantemente hiperativo/impulsivo ou o tipo combinado — não foram encontradas diferenças significativas entre eles. 

Em relação ao desempenho acadêmico — o estudo avaliou a performance de crianças com e sem sintomas de TDAH — constatou-se que as que tinham sintomas sinalizaram desempenho acadêmico inferior aos sem diagnóstico. Assim como foi detectado maior índice de repetição de ano na escola nas crianças com TDAH.

O desempenho neuropsicológico também foi avaliado com testes em crianças diagnosticadas com TDAH. Os resultados mostram que os estudantes considerados mais desatentos (subtipo de TDAH) apresentaram menor QI comparado aos outros subtipos. Comportamentos de irritabilidade, desobediência e condutas antissociais foram encontrados com maior frequência em crianças com TDAH.

Ainda segundo estudos envolvendo crianças e adolescentes, conclui-se que a variação entre as estimativas de prevalência de TDAH, pode ocorrer de acordo com os critérios de diagnóstico. Desta forma, conclui-se que o controle dos métodos diagnósticos podem minimizar essas diferenças.

Para concluir, observou-se que o DSM — Manual Estatístico dos Transtornos Mentais — foi a maior referência para os critérios diagnósticos. Vale ressaltar que, ainda que o manual seja necessário para classificar o transtorno, o maior fundamento diagnóstico do TDAH é a análise comportamental do indivíduo, visto que não há uma origem biológica definida.

Espero que este artigo tenha ajudado você a compreender a importância da prevalência do TDAH para podermos encontrar as melhores saídas para o desenvolvimento das crianças com o transtorno. 

Referências:

HORA, Ana flávia. A prevalência do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): uma revisão de literatura. Universidade Federal do Pará, Brasil. Psicologia vol.29 no.2 Lisboa dez. 2015

POLANCZYK, Guilherme Vanoni. Estudo da prevalência do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade na infância, adolescência e idade adulta. 

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