Bipolaridade na infância e autismo

A infância é um período que representa uma série de desafios. Dentre eles, transtornos e distúrbios que afetam o desenvolvimento e a interação social das crianças. A bipolaridade infantil, tema do artigo de hoje, deve ser considerado um distúrbio psiquiátrico caracterizado pela alternância de humor e outros sinais.

O que é a bipolaridade?

Conhecida também por Transtorno Bipolar, essa condição pode ser presenciada em pessoas de todas as idades, mas é na infância que os sintomas precisam ser analisados, principalmente se houver a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa observação é importante, porque para muitas pessoas a bipolaridade só ocorre na fase adulta, mas pesquisas confirmaram que a situação é diferente.

Incidência da bipolaridade infantil

De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), no ano de 2013, 60% dos casos registrados do distúrbio foram manifestados em indivíduos abaixo dos 20 anos. Embora a bipolaridade infantil não seja frequentemente diagnosticada, é recomendável que alguns comportamentos não passem despercebidos, como momentos de temperamento forte e apatia inesperada. Dez anos antes, uma pesquisa de 2003 apontou a existência de bipolaridade em 7,2% em jovens menores de 15 anos.

Quais são os sintomas?

• Momentos de humor e excitação bastante elevados: felicidade ou irritação excessiva;
• Comportamentos que podem colocar a criança em situações perigosas: pular de lugares altos, por exemplo.
• O pequeno tenta mostrar superioridade em suas ações; assuntos de conversa com uma conotação de grandiosidade: só ele tem superpoderes, ninguém pode com ele, todos têm de fazer o que ele mandar, etc.
• A criança não sente tanto sono;
• A fala do pequeno é muito rápida; além disso, ele muda rapidamente de um assunto para outro sem encerrar o que havia começado;
• É possível notar o envolvimento em vários projetos escolares e em outras atividades no geral, mostrando grande disposição;
• Humor deprimido ou irritável em parte considerável do dia;
• Grande diminuição do interesse ou prazer em todas ou em quase todas as atividades;
• Perda ou ganho de peso de maneira significativa;
• Fadiga ou perda de energia;
• Agressões a terceiros ou a si mesmo. Em casos extremos, a criança pode tentar o suicídio;
• Recusa a ir à escola;
• Dificuldade para organizar a informação;
• Baixo controle dos impulsos;
• A criança pode manifestar prejuízo na memória episódica;
• Dificuldades em adquirir autonomia social;
• O pequeno presenta altos e baixos de aproveitamento acadêmico, que decai de forma inesperada e demora a ser recuperado devido às oscilações do humor presentes em seu cotidiano.

Bipolaridade infantil e autismo: atenção redobrada

Quando a criança convive com o TEA a situação deve seguir uma cautela ainda maior, pois alguns sintomas podem ser confundidos. Um desses sinais em comum entre eles é a irritabilidade. Porém, o detalhe desse quadro de irritação no autismo é agravado pela hipersensibilidade existente em pacientes com TEA. Em casos de bipolaridade associada ao autismo, a criança deve ser acompanhada por profissionais, uma vez que essas características, quando não submetidas a uma intervenção adequada, podem piorar. Segundo estudos, o transtorno bipolar pode estar presente na vida de 27% dos pacientes com autismo.

Como tratar esses casos associadamente?

É sempre válido salientar que o tratamento deve se pautar em intervenções geralmente realizadas com o auxílio de medicamentos, cujo objetivo é o de controlar os efeitos dos transtornos. Além disso, as terapias são aplicadas com o intuito de proporcionar uma melhor qualidade de vida da criança. Isso é impulsionado de acordo com a intensidade das atividades, sejam elas aplicadas por analistas comportamentais, psicólogos, fonoaudiólogos, entre outros especialistas.

Dr Clay Brites

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