Como ajudar a promover a interação social no autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurobiológica que apresenta várias nuances, ou seja, um indivíduo pode manifestar características diferentes de outra pessoa, cujo diagnóstico é o mesmo do autismo.  Dentre os sintomas identificados no TEA, um deles é a interação social, uma habilidade muitas vezes prejudicada pela incidência do transtorno.

É importante salientar que a interação social no autismo é algo que precisa ser trabalhado sob a observação de especialistas, principalmente com uma visão multidisciplinar. Afinal, a criança não terá de tratar somente um traço característico, mas outros que coexistem.

Alguns sintomas presentes no autismo

Embora cada criança, adolescente ou adulto mostre uma particularidade incluída no TEA, a prevalência de determinados sintomas em todos ou quase todos os casos é algo que deve ser observado, a saber:

– Hipersensibilidade (toque, paladar, olfato, audição);

– Problemas na comunicação verbal;

– Atrasos no desenvolvimento cognitivo;

– Estereotipias;

– Fixação em determinados objetos ou assuntos;

– Movimentos repetitivos (tiques);

– Falta de contato olho a olho;

– Comportamentos que demonstrem alta irritabilidade (resultando em surtos, choros, etc.);

– Comorbidades (TOD, TDAH, Deficiência Intelectual, Transtorno Bipolar – figurando como as principais);

– Atitudes inadequadas no convívio com outras pessoas.

Promovendo a interação social no autismo

Um dos maiores progressos na medicina e na área das terapias foi a descoberta de técnicas que auxiliam profissionais no tratamento de seus pacientes. Primeiramente, devemos lembrar que quanto mais precoce o diagnóstico, mais fácil será o trabalho dos especialistas e o resultado tende a apresentar a eficácia esperada.

É preciso saber que as técnicas visam à diminuição de sintomas dos comportamentos indesejáveis, além do estímulo a atitudes mais adequadas para o convívio social.

Uma das maneiras mais eficientes e utilizadas pelos profissionais tem sido os métodos incluídos na Análise do Comportamento Aplicada (ABA). A ABA é uma ciência do comportamento humano socialmente relevante. Nos dias atuais, a ABA se configura como uma abordagem extremamente eficaz para crianças com atraso no desenvolvimento, como percebidos no autismo.

Graças ao acesso à informação, muitas pessoas têm conseguido realizar cursos online que capacitam familiares, terapeutas e educadores na busca por esclarecimentos. Além disso, a possibilidade de aprender formas de promover a interação social no autismo é uma medida indispensável, sobretudo pelo fato de tal progresso ser um complemento às intervenções orientadas e aplicadas pelos profissionais.

Como funciona a ABA?

A ABA é uma área de conhecimento que desenvolve pesquisas e aplicações a partir dos princípios básicos da análise do conhecimento. Esses princípios influenciam o comportamento humano. Uma série de técnicas voltadas para o desenvolvimento de repertórios de comportamentos saudáveis em diversos grupos.

A ABA é uma área de investigação e aplicação dinâmica ao passo que novos princípios comportamentais são descobertos por meio de pesquisas na área. Uma das premissas da ABA é o fato de a ciência não trabalhar somente com o aspecto da interação no autismo, mas com diversos fatores que são presenciados em pessoas com TEA. Pacientes com autismo leve, moderado ou severo podem receber os ensinamentos originados da análise do comportamento aplicada.

– As vantagens da aplicação ABA

Por meio da ABA, pais e profissionais podem presenciar os seguintes progressos na vida dos pequenos:

– Permitir que a pessoa com Autismo se relacione melhor em casa de familiares, amigos, escola ou na rua;

– Ensinar novas habilidades e/ou como “desaprender” comportamentos negativos, como agressividade e estereotipias. Estimular atitudes positivas;

– Ampliar a capacidade cognitiva, motora, de linguagem e de integração social;

– Aperfeiçoar as habilidades positivas que a criança ou adolescente com Autismo tem de melhor;

– Adquirir mais autonomia na vida.

Induzindo sociabilidade na escola e na vida

O ambiente escolar é o local oportuno para o desenvolvimento de habilidades por meio de atividades de interação social. No entanto, é importante salientar que o acompanhamento de especialistas faz-se mais que necessário, tendo em vista que a sala de aula reserva desafios diários para a criança e todos aqueles que utilizam o espaço em questão.

Portanto, não hesite quando o médico recomendar também a presença de profissionais como terapeutas ocupacionais, analistas comportamentais, psicólogos, psicopedagogos, pedagogos e fonoaudiólogos para compor o tratamento de seu filho. Cada um deles exerce uma função especial no progresso da criança.

A importância desses terapeutas se dá pelo fato de a criança com autismo conviver com determinadas situações, como a hipersensibilidade. Pode acontecer de o pequeno não se sentir muito bem dentro de sala devido ao barulho excessivo, por exemplo.

Então, a melhor maneira é conhecer o que pode ser feito para propor uma alternativa ao aluno, como levá-lo a um local mais tranquilo e trabalhar as tarefas de forma que ele aprenda de forma mais satisfatória. Por meio de etapas, os profissionais trabalharão esses déficits ou excessos comportamentais que influenciam a vida do baixinho.

Conscientização das pessoas: um passo importante

Outra iniciativa eficiente é conscientizar as pessoas acerca do TEA e como ele pode influenciar na interação social da criança. Imaginemos o ambiente escolar novamente. Quando os educadores trabalham este tema com seus alunos, a turma tende a respeitar e a receber o colega de maneira natural, sem estigmatizar o pequeno, mas com a plena consciência de que ele é diferente.

Diagnóstico precoce, resultados mais eficazes

Quanto antes a criança for levada ao consultório médico, mais o tratamento pode surtir o efeito esperado. Isso é explicado porque a fase em que a criança começa a mostrar, com certa clareza, a existência do autismo se dá pelos 3 anos de idade, com quadros de atrasos de linguagem, para citar apenas um exemplo.

O diagnóstico é alcançado por meio da observação clínica, observação comportamental e relatos dos pais e outros adultos que convivem diariamente com o pequeno.

Luciana Brites Psicomotricista

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Comments 7

  1. Maravilhoso este informativo .Sou pedagoga e geralmente fico com dificuldades de lidar com este assunto em sala de aula.

    1. Adriana Matias
  2. Achei esse artigo muito bom. Nos ajuda no nosso trabalho é muito gratificante esses conhecimentos , muito obrigada.

  3. Olá! Boa tarde, material muito importante que nos ajuda em nossas caminhadas profissionais, estou amando.

  4. Sou psicopedagoga e trabalho com alunos autistas.Esses conhecimentos têm me ajudado bastabte nas minhas atividades de intervenções psicopedagógicas.

    1. Adriana Matias

      A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é que estuda o comportamento humano socialmente relevante, e é, nos dias atuais, uma abordagem extremamente eficaz para crianças com atraso no desenvolvimento, como no Autismo.
      É tudo que já foi testado e aplicado com resultados satisfatórios, especialmente na intervenção precoce e intensiva de crianças com Autismo até cinco anos de idade. segue link com todas as informações .
      https://pcv.neurosaber.com.br/aba-vendas-abertas/ .

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