Como diagnosticar o autismo em adultos?

O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos tem grande possibilidade de ser realizado a partir de uma iniciativa dos próprios, sobretudo quando eles procuram ajuda médica para seus filhos. Aspectos comportamentais podem dizer muito sobre a existência do autismo nesses indivíduos que já alcançaram a maioridade. A antiga impressão de uma suposta timidez tende a revelar algo mais sério e que necessita de investigação aprofundada feita por especialistas.

O autismo e o diagnóstico

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido como um transtorno do neurodesenvolvimento. Atualmente, constata-se um crescimento acentuado de novos diagnósticos em crianças. O acesso dos pais e mães aos meios de comunicação e aos materiais científicos tem possibilitado a atitude desses indivíduos na busca por ajuda profissional e especializada diante de alguma suspeita vinda de um comportamento da criança.

Muitas vezes, o diagnóstico não é apenas para os filhos, mas para os seus responsáveis também. Por mais curioso que pareça, é relativamente comum que o médico chegue a um resultado que não era tão esperado para quem foi justamente ao consultório a fim de saber a situação do pequeno. O resultado, então, mostra que o TEA também está presente na vida de um dos dois adultos. O diagnóstico do autismo em adultos é, por vezes, um pouco mais complexo por envolver uma análise mais aprofundada.

O procedimento que identifica a existência do TEA nesse público

A identificação do autismo em adultos é o resultado de um procedimento de investigação. O diagnóstico desse público em específico é realizado quando a pessoa tem um filho que acabara de receber o resultado positivo para as suspeitas do TEA. Durante uma entrevista feita pelo profissional aos pais do pequeno, o médico começa a traçar semelhanças no comportamento de um dos adultos em relação à criança.

É interessante chamar a atenção para o fato de muitos desses adultos apresentarem aspectos comportamentais na infância marcados por uma iminente dificuldade de se socializar, aquelas crianças que eram ‘arredias’, mas que, sem um acompanhamento, o mais longe que conseguiam era o rótulo de tímidas. O especialista utiliza a técnica da entrevista aprofundada para confirmar o TEA no pai ou mãe da criança.

Possíveis barreiras quanto ao diagnóstico de autismo em adultos

Para Ramos, Xavier e Morins (2012), o diagnóstico pode se tornar difícil quando não é possível fazer uma apuração adequada à história pessoal do desenvolvimento e os padrões sintomáticos precoces. Outra situação também caracteriza a dificuldade para identificar o autismo em adultos: a falta de relatos dos pais e a até mesmo a ausência de registros médicos da época.

De acordo com estudos, a limitação em relação à memória também é um empecilho quanto à disponibilidade de relatos aos especialistas e ao possível diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Aspectos como dificuldades encontradas na linguagem e até mesmo debilidade mental são responsáveis por atrapalhar o fornecimento de dados referentes ao passado daquele adulto.

O autismo em adultos e a possibilidade da Síndrome de Asperger

Embora o diagnóstico seja tardio, muitos casos de pessoas adultas podem esconder o diagnóstico de Síndrome de Asperger. Interessante ressaltar que os pacientes com Asperger apresentam algumas dificuldades psicológicas e eles também têm a consciência de suas diferenças e, por isso, tendem a apresentar maior sofrimento devido a esse quadro.

Algumas características que distinguem Autismo e o Asperger

Vale relembrar que as principais características que mostram a distinção entre a Síndrome de Asperger e o Transtorno do Espectro Autista “são as habilidades normais (ou próximas à normalidade) da inteligência e da linguagem. A preservação destas habilidades pode mascarar déficits no desenvolvimento social e na flexibilidade cognitiva, o que faz com que o diagnóstico seja tardio nestes pacientes” (BORGES; SHINOHARA, 2007).

Diagnóstico de autismo em adultos sem filhos

A situação é mais complexa quando uma pessoa não tem filhos e convive sob algum espectro autista. A única forma é que o próprio indivíduo levante esta possibilidade. Ou alguém próximo a ele. Aspectos comportamentais podem dizer muito sobre isso, dentre eles: comunicação visual abaixo do normal, dificuldades para identificar sinais sociais, etc.

Referências

BORGES, Manuela; SHINOHARA, Helene. Síndrome de Asperger em paciente adulto: um estudo de caso. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, jun. 2007.

RAMOS, Jorge; XAVIER, Salomé; MORINS, Mariana. Perturbações do Espectro do Autismo no Adulto e suas Comorbilidades Psiquiátricas. Psilogos, v. 10, n. 2, dez. 2012.

 

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Comments 2

  1. Minha filha tem SD com Comorbidade de TEA. Tenho certeza q meu marido também tem TEA. Alguns pontos do espectro. Embora tenha conseguido avançar na vida. Talvez seja Asperger. Porém, não aceita e não procura ajuda médica. Uma pena.

  2. Sofro desde criança. Depois do diagnostico do meu sobrinho fui pesquisar sobre autismo e descobri muitas características de aspergir em mim.
    E por falta de dinheiro fui no sua atrás do diagnostico só
    Passei nervoso e humilhação.
    Mais não vou desistir do diagnostico.

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