Como diagnosticar o TDAH?

Resumo:

O objetivo deste artigo é trazer aos leitores o que está por trás do diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e como realizá-lo. Para que os profissionais possam chegar ao resultado, torna-se necessário atentar-se aos critérios diagnósticos e estabelecer a abordagem diagnóstica, que conta com o acompanhamento interdisciplinar na busca pelas intervenções a serem aplicadas em consultórios e na escola.

Palavraschave: Diagnóstico TDAH – Desenvolvimento infantil – TDAH

Introdução

O Transtorno de Déficit de Atenção é considerado por muitos como o transtorno neurocomportamental mais comum observado em pacientes infanto-juvenis. Dentro dessa proporção, a amostra de crianças diagnosticadas com o TDAH é de 5 a 6% da população infantil. Além disso, uma informação importante é que 95% desses pacientes demonstram os sintomas até os primeiros 12 anos. Por outro lado, aproximadamente 60% podem mostrar alguma característica antes dos 7 anos.

No entanto, tais sinais podem ser vistos com mais clareza a partir do contato diário de professores e outros profissionais da escola. Isso é explicado pelas suspeitas que surgem no decorrer da convivência do pequeno no ambiente escolar. A hiperatividade, a impulsividade e o déficit de atenção podem ser considerados como sintomas-alvo do TDAH.

Especialistas utilizam os chamados critérios diagnósticos para auxiliar de maneira complementar a confirmação do transtorno na vida da criança. Vejam a seguir quais são esses critérios de acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V).

Os critérios diagnósticos

Importante ressaltar que esse conjunto estabelecido pelo DSM-V divide o TDAH em dois grupos com o objetivo de esquematizar e facilitar a identificação dos sintomas que podem evidenciar a existência do TDAH.

– Déficit de atenção –

Desatenção a detalhes e erros;

Dificuldade em sustentar atenção; Parece não ouvir;

Dificuldade com instruções, regras e prazos;

Desorganização;

Evita/reluta tarefas de esforço mental;

Perde, esquece objetos;

Alta distração;

Não automatiza tarefas do cotidiano.

– Hiperatividade e impulsividade –

Movimento excessivo do corpo durante postura;

Dificuldade em permanecer sentado;

Sobe, escala, exposição em perigos;

Acelerado para as atividades;

Faz tudo “a mil”;

Fala demais e se intromete;

Responde antes de concluir perguntas;

Dificuldade em esperar;

Interrompe inoportunamente.

Abordagem diagnóstica

É sempre válido lembrar que o diagnóstico do TDAH deve contar com a interdisciplinaridade Essa diversidade é composta em sua grande maioria por profissionais de saúde e educação. No entanto, os pais exercem um papel de extrema relevância nesse processo.

Quando analisamos a abordagem diagnóstica, vemos um esquema estabelecido pelas partes envolvidas e o que elas desempenham ou ficam responsáveis. Vejam mais a seguir.

Médico: anamnese, escalas de avaliação, exame complementar;

Pais: disponibilizam o perfil comportamental e desenvolvimento; relatam a rotina de sono e os prejuízos afetivos e sociais;

Escolas: a instituição deve fornecer relatórios referentes ao percurso do aluno; além disso, dados sobre aprendizagem e comportamento também são imprescindíveis nesse processo;

Equipe: os especialistas ficam por conta de disponibilizar a avaliação psicognitiva e afetiva, além da presença indispensável de fonoaudiólogos e psicopedagogos.

Existe alguma dificuldade para o diagnóstico do TDAH?

Alguns estudos sugerem que o diagnóstico voltado para o subtipo desatento costuma ter o seu grau de dificuldade em função da falta de comportamentos evidentes (LARROCA e DOMINGOS, 2012). Um detalhe é que as manifestações clínicas que são utilizadas para conduzirem ao seu diagnóstico podem ter causas originadas em fatores associados, como alguns déficits (sensorial e intelectual).

Um ponto que simboliza o desafio para a realização do diagnóstico, de acordo com Folquitto (2009), é que tanto o déficit de atenção e a hiperatividade, sintomas presentes no TDAH, são tidos como “aspectos dimensionais na população, ou seja, manifestam-se, em menor intensidade, no comportamento de crianças e adultos de um modo geral”.

Buscando ajuda

Como pode ser visto acima, o diagnóstico do TDAH não é algo simples e depende de observação prévia, sobretudo no ambiente escolar na execução de tarefas ou em detalhes do aspecto comportamental. Os professores comunicam aos pais. Estes, por sua vez, precisam procurar auxílio médico e psicopedagógico para o início dos tratamentos.

Referências

FOLQUITTO, Camila Tariff Ferreira. Desenvolvimento psicológico e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): a construção do pensamento operatório.  2009. Dissertação (Mestre em Psicologia) – Universidade de São Paulo, São Paulo. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-21032009-095322/publico/camila_tarif_folquitto.pdf. Acesso em: 07 fev. 2020.

LARROCA, Lilian Martins; DOMINGOS, Neide Micelli. TDAH – Investigação dos critérios para diagnóstico do subtipo predominantemente desatento. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 16, n. 1, p. 113-123, jan./jun. 2012. Divulgado em: http://www.scielo.br/pdf/pee/v16n1/12.pdf. Acesso em: 07 fev. 2020.

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Comments 11

    1. Suporte Neurosaber
  1. Olá! Primeiramente gostaria de agradecer sobre as elucidações sobre o assunto! Gostaria de saber, por favor, a partir de qual idade a criança pode ser diagnosticada com o TDAH, ou que tem propensão ao mesmo. Obrigada!

    1. Suporte Neurosaber
  2. Boa tarde!
    Por onde devo começar esse diagnóstico? Por um neuro? Percebo alguns sintomas em meu filho. A escola solicitou uma intervenção com um fonoaudiólogo e pisicopedagogo. Mais nenh chegou a conclusão de um diagnóstico. A fonoaudiologa que o acompanha percebeu que ele tem uma disortografia,mais na da além. Apesar dele ter começado essa intervenção a pouco tempo.
    Obrigada

    1. Suporte Neurosaber
    1. Suporte Neurosaber
    1. Suporte Neurosaber

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