Como identificar um distúrbio de aprendizagem?

Quantas vezes você já ouviu que uma criança que não consegue aprender de forma satisfatória na escola pode ter um distúrbio de aprendizagem? É muito comum utilizar este termo para denominar este estado de fracasso e insuficiência escolar, mas muitos não sabem que, na maioria das vezes, esta situação apenas representa uma simples dificuldade de aprendizagem e não um distúrbio. A diferença entre ambas encontra-se exatamente na intensidade da persistência da dificuldade e no grau de sua insistente presença, mesmo se tomando medidas interventivas. Baixa resposta à intervenção e manutenção do baixo rendimento – por continuar a não se apropriar de habilidades básicas para leitura, escrita e matemática – sinaliza possível distúrbio ou transtorno de aprendizagem.

A identificação dos Distúrbios de Aprendizagem deve sempre ocorrer durante a fase de escolarização. Mesmo a criança apresentando um nível intelectual normal ou superior, com potencial para o sucesso escolar, ela não consegue atingir o mínimo esperado na apropriação da aprendizagem da leitura, da escrita e da matemática. Leitura lenta, silabada, irregular, sem a devida compreensão, com escrita com perfil caligráfico anormal e disortográfico e sem melhora mesmo com o suporte necessário levantam forte suspeita. Pode vir associado a problemas de seriação e conceituação numérica ou aritmética, com muitas dificuldades em raciocínio matemático.

Não raro, é comum o relato de história familiar, prematuridade, baixo peso ao nascer, atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, uso de drogas na gestação, abortos espontâneos, tabagismo na gestação, problemas de atenção, de linguagem e incoordenação motora na criança desde antes dos 5 anos. Esta descrição, até agora clínica, deve ser acompanhada de avaliações interdisciplinares que podem revelar déficits cognitivos, anormalidades na estruturação da linguagem e avaliações pedagógicas mostrando muitas restrições para cumprir as sequências exigidas nas tarefas acadêmicas.

Esta condição é mais comum em meninos (proporção 3:1), pode se associar a condições como Transtornos de Desenvolvimento e Transtornos Psiquiátricos. Desde muito cedo os pais estranhavam que seus filhos não tinham interesses em materiais que envolviam letras e números, falavam errado, não memorizavam canções/rimas/historinhas, demoravam para entender quebra-cabeças, esqueciam nomes de objetos conhecidos, de letras e representações gráficas de seu próprio nome. Estes sinais devem chamar atenção das pré-escolas as quais devem encaminhar a criança para uma ampla avaliação interdisciplinar. Como não existem exames de laboratório ou de imagem que auxiliem no diagnóstico definitivo, interpretar estas avaliações realizadas por outros profissionais em conjunto com os relatórios escolares ajudam a delinear bem as características clínicas e pedagógicas da criança avaliada. Este caminho é, em resumo, o mais indicado para identificar um distúrbio de aprendizagem.

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Comments 20

  1. Como avaliar um aluno (a) com um diagostico seguro , que tipo de instrumentos psicopedagogico usaria a uma criança com deficit intelectual

  2. muito importante sabermos

    identificar essas situações ,para assim mudarmos nossa maneiras de abordar a criança ,podendo encontrar uma maneira pedagogica diferente de aprendizagem a essa criança

  3. Bom dia!
    Sou professora
    Tenho um aluno de 5 anos q quando nervoso fala tudo errado,por exemplo
    Três,ele diz tes,sabia ele diz abia,e outras coisas mais,e na escrita não sai nada,se treme todo.
    Devo associar isso a algum tipo de disturbio?

  4. Muito bom, agradeço todas informações que são importantíssima em meu trabalho!!

  5. Nossa como é bom saber de tão boa vontade de uma equipe de profissionais que pensaram no próximo.Parabéns a todos!!!

  6. Gostei muito dos textos,ele assimila muito com minha forma de trabalhar,onde busco trabalhar de forma lúdicos,grata bjs

  7. Pingback: TDAH - Sintomas e Tratamento - NeuroSaber

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  9. Situação difícil mas que muitas vezes é negligenciada pelos pais ou familiares, por cuidadores, pela escola – eventualmente, com suas equipes de professores e auxiliares despreparados para Entender e Atender uma criança com alguma dificuldade de aprendizagem.

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