Conheça os 3 estágios da escrita (logográfica, alfabética e ortográfica)

Há muito tempo que pesquisas e estudos são feitos para entender a origem dos problemas de leitura e escrita, assim como os possíveis transtornos que os causam. Até 1970, existia a teoria de Hipótese de Déficit Visual, que justificava esses problemas pela dificuldade no processamento visual.

Após essa data, muitas evidências mostraram que o processamento visual não tinha essa relevância nos problemas de leitura. Ao mesmo tempo, novos estudos revelaram a importância do processamento fonológico para a aquisição da linguagem escrita. Foi então que a Hipótese de Déficit Visual foi substituída pela de Déficit Fonológico.

As dificuldades fonológicas levam a dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. Dessa forma, as intervenções que visam desenvolver essas habilidades, sobretudo a consciência fonológica, ajudam as crianças a decodificar, compreender e se desenvolver na leitura e escrita.

Mais adiante, pesquisadores como Frith (1990) e Morton (1989) descreveram 3 etapas do processo de domínio da linguagem escrita. São os conhecidos 3 estágios da escrita: logográfica, alfabética e ortográfica. Saiba mais neste artigo.

Os 3 estágios da escrita

Frith criou um modelo de desenvolvimento de leitura — expandido por Capovilla posteriormente — que define 3 estágios na aquisição de leitura e escrita. No logográfico, o primeiro estágio, a criança trata a palavra escrita como um desenho; no segundo, o alfabético, ela aprende a decodificação grafo-fonêmica e, no último, o ortográfico, aprende a leitura visual das palavras. 

Saiba mais sobre cada um dos 3 estágios de escrita.

Estágio Logográfico

No estágio logográfico, a criança lida com o texto como se ele fosse um desenho. Neste estágio, ela irá desenvolver a estratégia logográfica. A criança ainda não percebe a correspondência entre as letras e suas combinações (grafemas) e o som da fala (fonemas). 

A criança reconhece visual e globalmente algumas palavras de seu cotidiano — esse é o estágio de leitura que ela se encontra. A palavra ainda é reconhecida por ela, como se fosse um desenho. Em relação à escrita, a criança ainda não tem controle para ordenar as letras de acordo com os sons da fala.

A criança começa a passar para o próximo estágio, o alfabético, quando passa a ter contato frequente com material escrito na escola e com instruções sobre linguagem escrita.

Estágio Alfabético

No estágio alfabético, começa a ser fortalecida a relação entre a escrita e a fala. É o momento que a escrita está mais ligada ao som e a identificação dos fonemas está mais ligada aos grafemas. 

A criança começa a aprender a converter as letras escritas em sons que a correspondem — decodificação na leitura. Na escrita, começa a converter os sons em grafemas que os correspondem — decodificação na escrita.

No início, o processo é lento, cheio de erros na escrita de palavras e na relação entre as letras e o som. No entanto, a fluência aumenta à medida que a criança vai tendo mais contato com a leitura e a escrita.

Com o tempo, a criança vai ganhando confiança e começa a errar menos, pois se torna cada vez mais capaz de agrupar letras maiores. Nesse momento, ela começa a passar para o próximo estágio, o ortográfico.

Estágio Ortográfico

No estágio ortográfico, a criança começa a perceber as irregularidades presentes entre os grafemas e fonemas. Aprende que será preciso memorizar certas palavras para poder pronunciá-las e escrevê-las corretamente.

O sistema de leitura da criança, neste estágio, está mais maduro e completo, o que a ajuda a encontrar cada vez mais prazer na leitura e na escrita, à medida que consegue ler com mais rapidez e fluência.

No estágio ortográfico, a criança passa ao reconhecimento visual direto das palavras, pela estratégia lexical, e não está mais na decodificação — estratégia fonológica.

Vale ressaltar que, as estratégias usadas em cada estágio não são excludentes e podem existir ao mesmo tempo. A cada conquista de um novo estágio, as estratégias anteriores não são abandonadas, ainda que se tornem menos importantes.

Recentes estudos e pesquisas, como pudemos ver neste artigo, demonstram que as habilidades relacionadas à estratégia alfabética — como a consciência fonológica — são muito importantes para a alfabetização. 

A leitura alfabética permite que a criança comece a aprender sozinha, lendo uma palavra nova por decodificação fonológica. Gradualmente, começa a criar representações ortográficas das palavras, e poderá começar a ler pela rota lexical. 

Agora que você já conhece um pouco mais sobre os 3 estágios da escrita, compartilhe este artigo nas suas redes e ajude outros profissionais!


Referências:

CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra et al. Estratégias de leitura e desempenho em escrita no início da alfabetização. Psicol. esc. educ. [online]. 2004, vol.8, n.2 [citado  2020-05-08], pp. 189-197 .

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