Conheça os 3 estágios da escrita (logográfica, alfabética e ortográfica)

A escrita é uma prática dotada de estratégias que visam a favorecer o processo da alfabetização. Por meio de seus estágios, essa habilidade mostra como ela pode exercer um grande poder sobre o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa. Quem acompanha nossos artigos já deve ter lido algo a respeito do domínio dessa competência e como há uma série de fatores associados.

Sendo assim, é importante falar sobre os 3 estágios existentes na escrita e a influência que eles exercem na aquisição dos elementos por parte das pessoas que estão recebendo o estímulo para se alfabetizarem.

O estágio logográfico             

Antes de falar sobre esta categoria, é importante relembrar que o modelo de desenvolvimento da linguagem escrita (Frith, 1990; Morton, 1989) foi o responsável pela identificação dos três estágios presentes no contexto da alfabetização. Dentro dessa análise, destacamos o primeiro deles: o logográfico.

Este estágio é caracterizado pelo fato de a criança fazer o reconhecimento visual de determinadas propriedades presentes na palavra escrita baseando-se no contexto, tanto em forma quanto cor, porém não atenta à composição das letras que são responsáveis pela formação das palavras.

Para ficar mais claro, peguemos como exemplo um caso levantado por Capovilla et al. (2005), onde é trabalhada a troca entre as letras D por B, N por M e D por B na palavra Mcdonalds. Neste caso, a criança provavelmente não perceberá a mudança, “desde que não haja arcos dourados com fundo vermelho”. Isso acontece porque os pequenos tratam as palavras escritas como desenhos.

Dessa forma, elas só estão aptas a reconhecer aqueles termos aos quais estão familiarizados, tornando-os incapazes de realizarem uma análise grafêmica das palavras. Sendo assim, vale ressaltar que essa categoria marca também a leitura de natureza icônica e ideográfica, limitando-se ao reconhecimento do aspecto geral de expressões mais familiares.

O estágio alfabético

Aqui, podemos dizer que a característica é a estratégia fonológica. Com isso, a criança aprende a fazer decodificação grafonêmica (CAPOVILLA et al, 2005). Essa etapa significa que ela começa a obter os mecanismos para decodificar tanto as chamadas pseudopalavras e as palavras novas (ou seja, aquelas expressões que ainda não conhecidas em seu vocabulário).

Como leitura e escrita andam lado a lado no processo da alfabetização, é interessante pontuar que o estágio alfabético preza muito pela habilidade da criança realizar uma decodificação grafofonêmica de forma correta. Além disso, outro ponto que deve ser levado em conta é o fato da imagem fonológica seja familiar à criança, “ou seja, soe como uma das palavras conhecidas já armazenadas em seu léxico auditivo lingüístico (i.e., léxico fonológico)” (CAPOVILLA et al, 2005).

Por conta disso, vale ressaltar que quando ocorre a decodificação de palavras grafonemicamente irregulares pode causar erros de “regularização fonológica e falhas de compreensão de leitura”. (CAPOVILLA et al, 2005).

O estágio ortográfico

Já nesse último estágio ocorre o que conhecemos por estratégia lexical. É o seguinte: o pequeno aprende a ler lexicalmente. Ele faz o reconhecimento visual diretamente da forma ortográfica das letras. Vale salientar que nessa etapa a criança também consegue ler palavras grafofoneticamente irregulares; e, segundo Capovilla et al (2005), os pequenos passam a não cometer mais erros de regularização grafofonêmica, mas isso considerando que as palavras a serem lidas sejam comuns em seu vocabulário e que a criança esteja familiarizada com elas.

Uma informação importante é que no caso de crianças que apresentam a dislexia morfêmica, um quadro de dificuldades é percebido, sobretudo quando elas precisam o reconhecimento visual da forma ortográfica das palavras. Isso ocorre em pelo menos 10% dos casos registrados de dislexia no público infantil.

Referência

CAPOVILLA, Fernando et. al. Processos logográficos, alfabéticos e lexicais na leitura silenciosa por surdos e ouvintes. Estudos de psicologia. São Paulo, v. 10, n. 1, p. 15-23, 2005.

 

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Comments 4

  1. Muito boa abordagem.
    Estou mediadora de alunos com Dislexia e TDAH nos quais o processo de alfabetização representam a maior dificuldade. Entender e obedecer os três estágios torna o processo mais leve e proveitoso.

    1. Suporte Neurosaber
    1. Suporte Neurosaber

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