Deficiência auditiva: como lidar na aprendizagem infantil

Ouvir bem e de forma nítida e discriminadora é essencial para poder receber informações e sequências de aprendizagem escolar. Infelizmente, muitas crianças não conseguem utilizar adequadamente este caminho para aprender porque apresentam ou déficits parciais ou déficits totais (surdez) de percepção auditiva. As evidências científicas e a experiência tem mostrado que crianças surdas devem, antes de tudo, ter um ambiente direcionado para as suas necessidades. Vários autores no Brasil afirmam que as escolas para surdos não deveriam acabar pois estas escolas permitem, sem segregar, que a aprendizagem e a aquisição de meios de comunicação específicos são mais adequadas e também são genuinamente mais inclusivas para estas crianças.

Uma pesquisa da USP, capitaneada pelo Prof. Dr. Fernando Capovilla, comprovou que na educação infantil e nos primeiros 5 anos da educação fundamental os pacientes surdos se desenvolvem mais e melhor em escolas especiais para surdos (onde recebem instrução por Libras por professores sinalizadores fluentes e em meio a outros colegas surdos). Esta pesquisa examinou 9.200 alunos durante um total de 26 horas por aluno!

Outro aspecto ao qual devemos nos atentar é que muitas vezes uma deficiência auditiva não vem sozinha e isto tem direta implicação na aprendizagem infantil. A criança deve ser extensamente avaliada e investigada para verificar a presença de outras anomalias, como deficiência intelectual, TEA, TDAH, lesões neurológicas ou distúrbios de linguagem pois tais condições podem ser mais deletéricas para a criança do que a própria dificuldade em processar informações auditivas.

Deve-se investigar o histórico da gestação, as condições obstétricas e de parto e verificar como foi o pós-parto imediato da criança. Internações longas em UTI neonatal e o uso de antibióticos contra sepse ou meningite neonatal pode resultar em lesões no nervo auditivo, efeitos permanentes na sua capacidade auditiva e disfunções cognitivas diversas.

Frente a todo este quadro, portanto, é muito importante uma avaliação interdisciplinar completa com testes neuropsicológicos, fonoaudiológicos e psicopedagógicos adequados e que podem ser aplicados num contexto de deficiência auditiva. Com todo este aparato em mãos a equipe pedagógica passa a ter os elementos necessários para o planejamento didático e para medidas de adaptação curricular além de indicar qual escola e com quais profissionais seria mais adequado conduzí-la. Deve-se checar se esta criança foi avaliada por otorrinolaringologista no tocante `a necessidade ou indicação de aparelhos auditivos naqueles casos de deficiência auditiva parcial pois podem fazer enorme diferença.

Em linhas gerais, como lidar, portanto, com estas crianças na escola?

  1. utilizar estratégias predominantemente visuais com uso de instrumentos didáticos, imagens e recursos veiculados por esta forma de comunicação para transmitir os conteúdos;
  2. nos pacientes surdos, adotar formas de comunicação realmente mais adaptadas e específicas como uso de Libras apoiada na oralidade;
  3. contratar professores especializados e capacitados para linguagem para surdos para dar atenção mais individualizada a esta criança;
  4. transmitir segurança `a criança sempre explicando a ela que a escola está ciente de suas restrições e que fará de tudo para oferecer todo o suporte necessário;
  5. reunir-se com os seus pais a fim de colher informações sobre o comportamento e as maiores facilidades de seu (sua) filho(a) no cotidiano para entender as rotinas e regras do cotidiano a fim de otimizar as medidas que serão tomadas na escola;
  6. a escola deve se comunicar regularmente com os profissionais de saúde que atendem a criança;
  7. sinalizar com cores e luzes as chamadas sonoras regulares da escola.

 

Para mais informações, indicamos um livro maravilhoso escrito e patrocinado em parceria com a Editora Valer pela Universidade Estadual do Amazonas e com informações amplas e aprofundadas sobre o tema:

Capovilla FC.   Carta aberta ao Ministro da Educação sobre a especificidade linguística da criança surda e o essencial de suas necessidades educacionais. Sá, Nilda de (org.).   Surdos: qual escola? Manaus: Editoras Valer e Edua, 2011.

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