Depressão e ansiedade na infância e adolescência

Veja como identificar sintomas de ansiedade e depressão na infância e adolescência.

Os Transtornos de Ansiedade (TAs) e a depressão na infância e adolescência, só recentemente foram classificados nos manuais médicos e reconhecidos como entidades patológicas.

Ambos podem causar sintomas que prejudicam a vida do indivíduo e quando presentes na infância e adolescência, é grande a possibilidade de se agravarem ao longo da vida adulta. 

Os TAs são os transtornos mentais que mais afetam crianças e adolescentes, ficando atrás apenas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No Brasil, cerca de 5% de crianças e adolescentes apresentam sintomas do transtorno de ansiedade. Saiba mais, neste artigo.

Depressão e ansiedade na infância e adolescência: diagnóstico

O diagnóstico desses transtornos segue os critérios do DSM — Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, ainda que tenham sido delineados para adultos e os sintomas possam ser diferentes nas crianças e adolescentes.

Causas

As causas da depressão e dos transtornos de ansiedade podem ter origens biológicas, psicológicas e sociais. Alguns fatores considerados de risco, podem contribuir com a incidência dos mesmos na infância e adolescência, tais como:

  • problemas na gestação;
  • histórico familiar de depressão ou transtornos de ansiedade;
  • depressão materna;
  • bullying;
  • abusos e agressões físicas e psicológicas;
  • privação de sono;
  • redução do tempo de presença com os pais; 
  • pouca oportunidade de brincar e estar com outras crianças, entre outros.

Sintomas

Cada criança é única, mas ainda assim, existem alguns sintomas comuns nos casos de depressão e ansiedade da infância e adolescência, tais como:

  • baixa autoestima e autoconfiança;
  • culpa;
  • dificuldade para dormir ou insônia;
  • apatia e desinteresse por atividades e brincadeiras;
  • irritabilidade e agitação psicomotora;
  • dificuldade de concentração;
  • alterações no apetite;
  • doenças psicossomáticas;
  • recusa a ir para escola;
  • pensamentos suicidas, entre outros.

Vale ressaltar que, para que esses sintomas sejam sinais de alerta, devem estar presentes por um longo tempo, a ponto de causarem prejuízos na vida social da criança e adolescente. O ponto aqui é que crianças e adolescentes podem apresentar algum desses sintomas, mas de forma passageira, não sendo um sinal de depressão ou ansiedade.

Transtorno de Ansiedade (TAs) na infância e adolescência

A ansiedade leva crianças e adolescentes a evitarem contato com o que a está causando. Ela pode trazer prejuízos imediatos, mas também de médio e longo prazo, como baixa autoestima e desinteresse generalizado. 

Caso não seja tratado na infância ou na adolescência devidamente, é grande a possibilidade que essa condição se agrave na vida adulta.

Os critérios diagnósticos dos TAs mudaram ao longo dos anos, inclusive em relação a nomenclaturas. O CID 10, por exemplo, traz a descrição de 3 quadros específicos de ansiedade na infância:

  1. transtorno de ansiedade de separação,
  2. transtorno de ansiedade fóbica
  3. transtorno de ansiedade social.

No DSM, os TAs que são diagnosticados na infância fazem parte da categoria dos transtornos ansiosos, com critérios diagnósticos semelhantes aos encontrados em adultos. De acordo com o manual, são considerados transtornos de ansiedade:

  • ataque de pânico;
  • transtorno de pânico com ou sem agorafobia; 
  • fobias específicas e fobia social;
  • transtorno obsessivo-compulsivo;
  • transtorno de ansiedade generalizada;
  • transtorno de estresse pós-traumático;
  • transtorno de estresse agudo;
  • TA devido a uma condição médica, induzido por alguma substância ou sem outra especificação.

De todos eles, o único exclusivo da infância e adolescência é o Transtorno de Ansiedade de Separação.

Depressão na infância e adolescência

A criança ainda não consegue muito bem expressar seus sentimentos, o que ocorre com muitos adolescentes também. Por conta disso, é comum que surjam sintomas físicos e doenças psicossomáticas.

A depressão na infância e na adolescência é mais que uma tristeza normal, é uma perturbação orgânica, com variáveis sociais, biológicas e psicológicas. 

No que diz respeito ao aspecto biológico, é provável que a depressão esteja relacionada à  disfunção dos neurotransmissores ou anomalias em determinadas áreas cerebrais.

Já em relação ao aspecto psicológico, a baixa autoestima e autoconfiança podem ser sinais de depressão. No aspecto social, a depressão pode se manifestar na falta de adaptação a determinados lugares e situações, ou até mesmo como um pedido de ajuda.

Os sintomas descritos no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-V) são: 

  • humor deprimido na maior parte do dia;
  • falta de interesse nas atividades diárias;
  • alteração de sono e apetite;
  • falta de energia;
  • alteração na atividade motora;
  • sentimento de inutilidade;
  • dificuldade para se concentrar;
  • pensamentos ou tentativas de suicídio.

Diante de qualquer suspeita de depressão ou ansiedade em crianças e adolescentes, é fundamental procurar ajuda de profissionais capacitados para realizar o diagnóstico e tratamento. Restou alguma dúvida? Deixe nos comentários!

 

Referências:

VIANNA, Renata Ribeiro Alves Barboza; CAMPOS, Angela Alfano  e LANDEIRA-FERNANDEZ, Jesus. Transtornos de ansiedade na infância e adolescência: uma revisão. Rev. bras.ter. cogn. [online]. 2009, vol.5, n.1 [citado  2020-04-16], pp. 46-61 .

https://www.vittude.com/blog/fala-psico/tudo-sobre-depressao-infantil/

https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/aumento-da-depressao-na-infancia-e-adolescencia-preocupa-pediatras/

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