Desenvolvimento afetivo – o processo de aprendizagem e o atraso escolar

Você sabia que os três fatores que levam o título deste artigo têm ligação? O desenvolvimento afetivo está vinculado ao processo de aprendizagem e ao atraso escolar; ou melhor, o atraso pode ser a consequência dos outros dois itens. Inicialmente, tal associação pode parecer difícil para quem não é da área da psicologia infantil, psicopedagogia, pedagogia e afins; no entanto, pais e educadores podem e devem saber do que se trata, pois sua presença é imprescindível como parte da intervenção ao problema.

O que está ligado ao atraso escolar?

O atraso escolar tem causas multifatoriais e pode estar ligado desde uma falta de adaptação ao ambiente ao que a criança está inserida até a um transtorno de aprendizagem. Contudo, o objetivo aqui é falar sobre a dificuldade pedagógica ligada ao desenvolvimento afetivo. Então, o ponto de partida será a consideração de fatores extraclasse, mas também do processo pedagógico e individual do pequeno.

Causas consideráveis do atraso escolar

1.1 – Um estudo realizado pela pesquisadora Adriana Jacob, da USP, mostra que o atraso escolar pode estar relacionado ao aspecto ambiental, uma vez que os processos de aprendizagem estão intimamente ligados ao grupo familiar ao que o aluno está inserido. Isso significa que o nível sócio-econômico, o letramento e a valorização do ensino formal presentes na família podem exercer influência no estudante.

Jacob (1996) também traz para o levantamento que tal exposição ao estresse psicossocial múltiplo, “como uma condição presente na história de vida da criança, pode caracterizar-se como agente que fragiliza o indivíduo, favorecendo as dificuldades frente às demandas escolares”.

1.2 – Mais adiante, o estudo em questão considera outra possibilidade, dessa vez referenciada por Pain (1985), no qual os fatores individuais da criança são relacionados aos aspectos biológicos, afetivos e cognitivos do pequeno, uma vez que tais fatores influenciam no processo de aprendizagem.

Desenvolvimento afetivo na aprendizagem e o atraso escolar

A pesquisa de Adriana Jacob mostra uma parte interessante quando ela traz para a discussão do atraso escolar algumas características que justificam, em parte, tal condição. O estudo levanta o que Santos (1990) conseguiu identificar quando analisou a procura de pais por atendimentos psicológicos em uma clínica infantil vinculada à prefeitura de São Paulo. Observou-se que 61,5% dos casos ocorriam em função de distúrbios de aprendizagem. Além disso, as situações de atraso escolar e problemas relacionados à função pedagógica estavam relacionados a determinadas reações de fundo afetivo: “nervosismo, impulsividade, oposição, choro fácil, baixa tolerância à frustração, falta de iniciativa, apatia, isolamento social, dependência, imaturidade, medos e manifestações somáticas difusas.”

Como identificar?

Embora cada criança tenha um comportamento único, a dificuldade no aprendizado pode ser perceptível no desempenho escolar. Para os educadores, essa observação pode ser feita no dia a dia. Os pais também podem identificá-la em pequenos gestos, como o pouco gosto da criança por alguma atividade dada em sala de aula, por exemplo.

Tratamentos

A melhor maneira de intervir nesses casos é procurar por um tratamento multidisciplinar, sendo que a presença de profissionais de psicologia e psicopedagogia são essenciais.
É importante ressaltar que dentro de casa o incentivo também deve ser com muita paciência e amor para que a criança se sinta encorajada e impulsionada. Pais, lembrem-se que sua compreensão é fundamental.

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Comments 13

  1. Adorei o texto. Meu filho se encaixa totalmente naa características citadas e também tem TPAC. Realmente os avanços vem aparecendo com muito amor, fono e psicologia. Gostaria de mais aprofundamento sobre o assunto. Parabéns!

  2. Excelente matéria. No caso de uma criança com a maioria das reações de fundo afetivo acima descritos e ainda situação financeira familiar desfavorável, qual a melhor conduta para uma professora ou para a escola auxiliar esta criança em seu desenvolvimento escolar?

  3. A cada leitura dos textos, entendo que preciso com urgência de capacitação para lidar com alguns dos educandos que apresentam situações desta origem.

  4. Meu filho tem nove anos e demonstra muito desinteresse pela escola e tarefas propostas! JÁ tentei ajuda-lo, porém acaba me cansando o descaso que demontra! Percebi muita falta de atenção e não capricha! Estou preocupada! Gostaria de algumas dicas! Ele gosta muito de canais e sites que ensinam confecção ou mesmo realizada o de experiências…

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  9. Trabalho com crianças com idades diferente e esse trabalho de exercício é importantíssimo papel a afetividade com a criança, o ensino aprendizagem é de fundamental importância para um afeto de laço de companheirismo entre as crianças em determinado ambiente escolar ou em outro ambiente.

  10. Olá Luciana, estou fazendo pós graduação em neuropsicopedagogia,e seus artigos são muito enriquecedor, pois aprendo sempre mais um pouco com eles.Gratidão

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