Dispraxia ou distúrbio de coordenação do desenvolvimento?

Sobre a dispraxia

O assunto de hoje é sobre a dispraxia, mas vocês já ouviram falar e sabem o que significa? A dispraxia, também chamada de distúrbio de coordenação do desenvolvimento, pode ser definida como uma dificuldade no planejamento e na execução de padrões dos movimentos voluntários. Importante salientar que esse quadro não interfere nem nas estruturas dos músculos e muito menos do sistema nervoso.

Dispraxia ou distúrbio de coordenação do desenvolvimento: tem diferença?

Existe uma dúvida em relação à forma mais correta para denominar essa condição, mas é preciso relembrar que desde o século passado alguns termos são utilizados para se referir ao quadro de transtornos de coordenação motora. “‘O termo ‘coordenação muscular pobre’ já era usado em 1926, e o termo ‘dispraxia do desenvolvimento’ era utilizado em 1937 para se referir às crianças que apresentavam falhas no desenvolvimento das habilidades motoras.” (MAZER & DELLA BARBA, 2010)

Outra informação que deve ser fixada é que pessoas com dispraxia não devem ser chamadas ou consideradas preguiçosas, desajeitadas e deselegantes. Elas não escolheram andar ou se portar desta maneira. Além disso, vale ressaltar que crianças em tal situação não têm nível de inteligência abaixo do normal.

As aulas de Educação Física e a identificação da dispraxia

Importante salientar que a identificação desse quadro é muitas vezes possibilitada no ambiente escolar, sobretudo nas aulas de Educação Física. No entanto, a família também pode contribuir. Durante o desenvolvimento da coordenação motora, os pequenos tendem a demonstrar alguma disfunção relacionada aos movimentos.

Alguns estudos chamam a atenção para o fato de muitos casos serem subnotificados. Por conta disso, o diagnóstico formal pode ficar comprometido; e os pacientes não recebem a assistência necessária que seja suficiente para oferecer melhores condições. O que contribui para isso é o fato de as crianças sob tal situação não demonstrar sinais neurológicos que possam evidenciar a existência do distúrbio. Outro fator é a crença de pais e responsáveis que esse quadro de dificuldade motora vai se resolver com o tempo.

As consequências do distúrbio de coordenação do desenvolvimento

A ocorrência da dispraxia acarreta determinadas situações na vida da criança. Algumas ações tendem a representar grande dificuldade para o pequeno, tais quais: correr, pular, vestir-se, despir-se, abotoar uma camisa, etc. É preciso salientar que nos casos de dispraxia ou distúrbio de coordenação do desenvolvimento, os pequenos também podem demonstrar algumas características, como as seguintes: ritmo prejudicado, falta de equilíbrio, problemas de orientação espacial e coordenação motora. Tudo isso impacta na vida da criança, seja no ambiente escolar ou no aspecto social.

Quando a criança tem dispraxia, várias limitações podem ser observadas no convívio escolar. De acordo com Pulzi e Rodrigues (2015), existem situações que evidenciam o distúrbio, a saber: “no jogo elas (as crianças) podem se destacar de seus pares por não serem capazes de andar de bicicleta ou participar de atividades com bola”.

Além disso, o cotidiano do pequeno na escola também é marcado por outras dificuldades. Eles costumam ser referidos, por muitas vezes, durante as séries iniciais “pelas dificuldades na percepção visual, leitura e escrita, com atividades que solicitem a coordenação motora fina, tais como desenhar e recortar, ou através das habilidades de coordenação motora grossa, tais como as envolvidas no esporte, formando um grupo heterogêneo e as limitações que experimentam são bastante variadas.” (PULZI & RODRIGUES, 2015)

Tratamento

Para os casos de dispraxia ou distúrbio de coordenação do desenvolvimento, a melhor maneira para lidar com os sintomas é por meio dos exercícios e técnicas propostos pela Terapia Ocupacional. Os profissionais dessa área oferecem ações estratégicas que são capazes de minimizar as dificuldades dessas crianças que convivem com os transtornos de coordenação motora.

Referências

MAZER, Érica Papa; DELLA BARBA, Patrícia Carla de Souza. Identificação de sinais de Transtornos do Desenvolvimento da Coordenação em crianças de três a seis anos e possibilidades de atuação da Terapia Ocupacional. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 21, n. 1, p. 74-82, jan./abr. 2010.

PULZI, Wagner; RODRIGUES, Graciele Massoli. Transtorno do desenvolvimento da coordenação: uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 21, n. 3, jul./set. 2015.

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Comments 3

  1. Bom dia.
    Eu adorei o texto! Muito claro e completo.
    Porém, acho que poderia ser acrescentada a Psicomotricidade para o tratamento, já que esta tem com material de trabalho o corpo, envolvendo seus aspectos cognitivos, afetivos e motores, creio que contribua muito para o desenvolvimento da coordenação.

    1. Suporte Neurosaber

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