Distúrbio do Processamento Auditivo Central e TDAH

A associação entre distúrbio de processamento auditivo (DPA) e TDAH é relativamente comum. Muitos pacientes com uma destas condições também apresenta a outra. Diferenciá-las é muito importante durante o processo de investigação de problemas de aprendizagem, baixo rendimento escolar e alterações de comportamento, pois ambas podem levar ao fracasso social e acadêmico e devem ser, o mais cedo possível, diagnosticadas.

O processamento auditivo (PA)

PA é um processo complexo que envolve diversas áreas cerebrais com a finalidade de perceber, organizar e integrar estímulos auditivos exclusivos ou concorrentes que permitem a identificação e a compreensão dos mesmos. Esta habilidade não é isolada e depende da integridade de outras funções neurológicas como a atenção, a memória e as funções executivas. Existem testes específicos e exames sistematizados para avaliá-lo e para descobri-lo, dependemos basicamente da queixa trazida pelos pais e a escola e destes testes.

O TDAH, por sua vez, é um distúrbio de atenção associada à hiperatividade e impulsividade levando a problemas de atenção seletiva e sustentada, memória operacional e funções executivas com consequências na interação social, aprendizagem e organização temporal, espacial e executiva. Não existem exames para seu diagnóstico que depende de dados dos pais e da escola confrontados com os critérios do DSM-5 e escalas de avaliações específicas. Assim, conhecer as características clínicas e comportamentais de cada um é imprescindível!

O TDAH leva a problemas comportamentais que não ocorrem no DPA, como: hiperatividade, desorganização motora e espacial, dificuldades de controle inibitório, oscilações bruscas de humor frente às frustrações e à espera e déficits de memória de trabalho não-verbal e funções executivas (pouca percepção de erros, autocontrole ruim, dificuldade em lidar com o tempo de cumprimento de tarefas, desorganização geral). Pacientes com tais características tem mais a ver com TDAH do que com DPA.

Além disto, alguns outros dados podem ajudar, como submeter a criança a uma avaliação neuropsicológica completa para investigar déficits em habilidades cognitivas normalmente associados ao TDAH.

É comum que sintomas de desatenção auditiva, pouca memorização auditiva, dificuldades de leitura, escrita e baixo rendimento escolar ocorram em ambas as condições. Portanto, é muito importante que na iminência de tais transtornos sejam investigados a possibilidade da presença de ambos na mesma criança. Como o DPA tem testes e exames bem específicos, muitas vezes descobre-se o DPA e se esquece da possibilidade da criança também ter TDAH. Em artigo publicado em 2007 (veja link abaixo) na Revista Brasileira de Psiquiatria, os autores demonstraram que o uso de medicação psicoestimulante – normalmente indicada para o TDAH – melhorou os índices e sintomas de DPA em pacientes com TDAH e isto pode refletir que é importante se ater em identificar ambos como rotina.

 

Fonte: SCIELO

Comments 78

  1. Muito boa informação …gostaria de obter mais conhecimento e dicas como lidar com crianças com essa deficiência

  2. Mesmo estando de férias tiro um tempinho para acompanhar as importantes reflexões que vocês da neurosaber postam diariamente. Ótimas contribuições. Muito validas para meu fazer profissional

  3. muito interessante e pertinente para estudo e reflexão nesse inicio do ano letivo
    sou professora e importante para se preparar observar mais meus alunos e intervir

  4. Gostei do artigo. Muitas vezes temos crianças com características de DPA e não compreendemos muito bem o que acontece e como acontece, dificultando lidar do modo mais eficaz ou até mesmo chegar nos pais e alertar sobre o problema. Obrigada pelo artigo e, postem sempre mais novidades.

  5. Muito bom! Preciso aprender mais sobre o DPA, assisto sempre vídeos sobre TDAH, quando fiz a pós graduação em psicopedagogia descobri eu e meu filho temos TDAH, eu desde a infância, fiz avaliação com uma profissional, e logo serei avaliada por Neurologista, minha vida já foi muito prejudicada pelo transtorno em varias as áreas, passei a vida sofrendo e sendo julgada, recebi e mail sobre a semana TDAH, e falava sobre salvar a vida e os sonhos da criança com esse transtorno, me comoveu, pois é exatamente isso que precisamos tentar fazer, fiquei a pensar quantis sonhos e projetos se foram, e como tudo poderia ter sido diferente se tivesse sido diagnosticada na infancia.
    Agora não posso deixar que meu filho sofra tanto os sintomas, vou salvar a minha vida e a dele.
    Vocês nos ajudam muito nessa luta, disseminando conhecimento. Parabéns!

    1. Obrigada Joradana pelas palavras de carinho! continue acompanhando mais informaçoes pelos canais da Neurosaber

    2. Obrigada Joradana pelas palavras de carinho! continue acompanhando mais informaçoes pelos canais da Neurosaber.

  6. Amei o artigo,a cada dia é uma nova aprendizagem,esta equipe tem mim estimulado muito a buscar novos conhecimentos.Conteúdos objetivos e claros. Estou incentivando aos familiares e professores dos meus alunos aqui em ENTRE RIOS na Bahia para também serem seus seguidores . Sou Psicopedagoga com Especialização no AEE .Muito obrigada,que Deus continue abençoando este casal grandemente.
    ..

  7. Eu gostaria de saber se a ajuda de um fonoaudiólogo capacita esta criança ou adolescente?

  8. Achei o artigo interessante e produtivo. Poderia ser mais fácil identificar. Minha filha tem dificuldade de atenção, mas não é hiperativa. e a pouco fiquei sabendo dá existência do PA. E algumas características batem com os dois! Ela já tem 15 anos e é uma luta para entender o que acontece com ela. Gostaria de ter conhecido a Neuro saber, à mais tempo.!
    Parabéns pelo trabalho

  9. Muito bom!! Continuarei a acessá-los, pois estou aprendendo muito.
    Esse trabalho de vcs está me motivando muito a continuar minha caminhada profissional.
    Obrigada!!

  10. Meu filho é diagnosticado com TDAH, mas as vezes percebo que ele pode ter DPA, que exames devo fazer para descobrir?

    1. Leonilda Vallati, você deve procurar um(a) Fonoaudiólogo (a) especialista na área de Processamento Auditivo Central, ele é responsável pelo exame e diagnóstico.

  11. Meu filho está hoje com 15 anos e foi diagnosticado com TDAH e problemas no Processamento auditivo central. Só que ele não é hiperativo mas tem certas dificuldades no aprendizado. Terminou o primeiro grau e este ano inicia o segundo grau. De que forma posso ajuda-lo a melhor a questão dá atenção e o desempenho escolar?

  12. Artigo muito interessante , nos ajuda muito em sala de aula, pois muitas vezes nos falta esclarecimentos maiores e fica meio confuso. O estudo ainda é o melhor caminho, bem como a observação de cada criança.

  13. Ainda não tive alunos com DPA em minha creche,mas foi muito esclarecedor,já tenho uma visão correta ,com um olhar mais detectivo para orientar os pais e professores.
    Agradeço a oportunidade dr. Clay,sucesso em suas pesquisas. Muita Paz e Luz

  14. Alguns testes comportamentais dá bateria de avaliação de PAC são puramente auditivos, ou seja, a resposta é guiada pelo estímulo auditivo. Isso nos ajuda a tentar fazer um diagnóstico diferencial entre TPAc e TDAH. Digo “tentar” pois mesmo com testes específicos algumas vezes ficamos na dúvida. A queixa da criança/família que tem TPAc é puramente auditiva. Como Fonoaudióloga atuante na área, acredito que uma boa avaliação do PAC ajudará muito o Neuropsicólogo na sua avaliação.
    Abraços

  15. Parabéns a equipe! Texto esclarecedor! Os pais necessitam ser mais atentos buscando profissionais quando necessário.

  16. Bom dia, parabéns pelo excelente trabalho que vocês veem realizando. As neurolives são excelentes, os textos são esclarecedores e os vídeos auxiliam muito para um melhor entendimento dos diferentes transtornos e dificuldades da aprendizagem. Obrigada!
    Em tempo: Sou Sandra da Costa Luz, 40 anos de experiência como professora, supervisora, coordenadora e diretora da Educação Básica (rede estadual/MG e rede particular/UNIPAC e sistema ANGLO de ensino). Hoje atuo como Psicopedagoga (desde 2010).

  17. Boa tarde! Primeiramente parabéns pelo excelente trabalhos de vocês. As neurolives muito esclarecedoras, os artigos, vídeos nos auxiliam muito o entendimento dos diversos transtornos e dificuldades da aprendizagem.
    Sou Lúcia Maria de Carvalho Assis, professora de Educação Física do Ensino Fundamental Ciclo!
    da Rede Estadual/SP – Sorocaba. Meu muito obrigada!!!!

  18. Acho que acabei de descobrir o que meu aluno têm; falo, repito, explico e parece que estou falando outra língua, ele não consegue entender. Sinto até angustia. Vou procurar mais artigos sobre DPA, é conversar com os responsáveis.

  19. Ter a oportunidade de conhecer outras formas de ajudar as crianças e jovens que tem um transtorno faz crescer em mim a vontade de buscar mais informações e esse site nos permite conhecer de forma clara e precisa. Obrigada e muito obrigada a equipe da NeuroSaber!!

  20. Parabéns a toda equipe NeuroSaber.
    Nós como professores , especialistas precisamos ampliar nosso olhar a cada dia e ajudar essas crianças da melhor forma possível.
    Obrigada,Luciana.
    Abraço,
    Conceição.

  21. A avaliação dos distúrbios de processamento auditivo é bastante criteriosa, com testes realizados em cabine acustica por fonoaudiólogos, especialista em audiologia. Seu diagnóstico, portanto, é fácil e rápido. Seus transtornos impactam a compreensao das informações auditivas, dificultam a aprendizagem da leitura e escrita e podem dificultar a compreensão de situaçoes sociais de comunicação em grupos maiiores. A abordagem fonoaudióloga pode ser feita em cabine acustica ou nao, a depender dos dados encontrados na avaliacao clinica fonoaudiólogica e audiológica. Como concorre com dislexia e TDAH ( não necessariamente) implica em uma abordagem multidisciplinar.

  22. Muito bom o texto, minha filha é diagnosticada com DPA. Durante muitos anos foi acompanhada pela Fono. Ajudou muito na sua organização do dia a dia. Hoje ela tem 15 anos e está 1 ano sem acompanhamento, porém acho que está fazendo muita falta principalmente nas questões da aprendizagem. Ela nao quer mas ser acompanhada pela Fono.

  23. Tenho uma filha ser 8 anos e ela sofre com escola desde os 5 anos. Achava que era normal a agitação dela a.escola dizia que ela estava em fase de alfabetização ainda e que eu não me preocupasse. O ano.passado ela me deu muito trabalho na escola chorava todos os dias não se enturmou muito com a turma dela e a escola achava que aquilo não era normal. Porém comecei a procurar por varios especialistae e foi pedido vários exames a ela, um deles o PAC.o resultado veio essa semana no meu e-mail. Na audiometria eles sugerem audiometrias de repetição por estar com uma otite do ouvido médio causado.por renite. Nos demais eles falam sobre TDAH e o encaminham a fono. Quero saber qual a diferença ou relação entre TDAH e Dislexia. Falei.com a psicóloga dela e ela disse que além da terapia ela vai precisa de medicação. Mas me preocupo pois Jah ouvi tantos relatos sobre a medicação que deixa a criança meia boba

  24. Bom dia ,esse artigo é muito rico em informações na qual ,mostra como podemos ajudar nossos alunos a melhorar a socialização principalmente os alunos com mudança brusca de humor ,que Deus continue a abençoar vcs com esse trabalho maravilhoso.

  25. PARABÉNS EXCELENTE EXPLICAÇÃO ,VOCÊS DA NEUROSABER TRAGO CONTEÚDOS DE GRANDE UTILIDADE PARA NÓS PROFESSORES.

  26. Dr Clay, minha filha já foi diagnósticada e tratada com fono e cabine por conta do DPAC. Mas ela tem indícios de deficit de atenção e preciso muito de uma indicação de equipe multidisciplinar ou de um neurologista especialista aqui em Sao Paulo que entenda de ambos (DPAC e TDAH) para que possa indicar o diagnóstico e tratamento corretos. Muito obrigada

  27. Muito válido pra mim ter maiores explicações sobre DPA. Enquanto psicopedagoga, atendi vários clientes com diversos problemas,no consultório. Não me lembro de ter surgido algum com DPA.
    É de muita valia as informações.

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