O que é o questionário de esquemas de Young e para que serve?

As terapias cognitivo-comportamentais sempre estiveram no foco de discussões de estudiosos que analisam distúrbios de personalidade e todas as consequências que são manifestadas. Dentro dessa forma de intervenção, os chamados esquemas ganham espaço como meios de possibilitar o trabalho de terapeutas e levantar suas constatações acerca da situação dos pacientes. Grandes contribuições foram dadas à longa pesquisa que se estendeu tendo em vista o entendimento da comunidade científica com essas terapias. Jeffrey Young é um dos expoentes desse grupo.

Palavras-chave: Esquemas de Young – Terapia cognitivo-comportamental – Esquemas

Esquemas são resultados de muito estudo

O assunto de hoje é sobre os questionários de esquemas de Young e a sua finalidade. Entretanto, para que haja um raciocínio que leve o leitor ao entendimento do tema, torna-se necessária a explicação a partir de alguns conceitos e teorias que culminaram na elaboração desses estudos e em sua aplicação. O que se pode adiantar é que todo esse movimento de estudiosos foi embasado a partir de pesquisas feitas em torno da compreensão das psicopatologias da personalidade.

Terapia cognitivo-comportamental            

Antes de chegar ao questionário de esquemas de Young, as chamadas terapias cognitivo-comportamentais (TCC) precisam ser relembradas. Elas funcionam como abordagens terapêuticas eletivas e que são usadas em diferentes transtornos mentais. Vale ressaltar que elas contam com um conjunto de abordagens que chega a mais de vinte; e são responsáveis por compartilhar pressupostos básicos que vão do papel mediacional fundamental da cognição até a possibilidade de acessar e alterar os processos de cognição.

Essas terapias também trazem outros pressupostos, como aqueles que lidam com conceitos fundamentais e que são compartilhados como esquemas e crenças. No entanto, a questão das TCCs tem encontrado algumas contestações quanto à diversidade que as abordagens apresentam, pois os conceitos presentes nelas são empregados de maneiras variadas. A consequência disso é a imprecisão e a dificuldade na comunicação.

O que é o questionário de esquemas de Young?

O psicólogo Jeffrey Young apresentou à comunidade científica elementos que endossam suas impressões acerca dos esquemas. A partir desses estudos, Young denominou-os como Esquemas Iniciais Desadaptativos (Early Maladptative Schemas – EMS). Sendo assim, Young passou a empregá-los para favorecer a compreensão e a intervenção nos transtornos de personalidade.

Com isso, pode-se dizer que os Esquemas Iniciais Desadaptativos tendem a se referir àqueles temas que são estáveis e duradouros; que se desenvolvem durante a infância e que são estabelecidos ao longo da vida; além disso, eles são disfuncionais em um grau consideravelmente significativo.

Esse instrumento identifica os EMS que são postulados. Deve-se salientar que para cada EMS é apresentado um grupo de afirmações, às quais à resposta é dada em uma escala que vai de 1 a 6. Interessante ressaltar que 1 representa o ‘completamente falso’ e o 6 ‘descreve-me perfeitamente’.

Alguns dos exemplos dos itens do Questionário de Esquemas de Young contêm as seguintes informações: “para o EPM de privação emocional, ‘De uma maneira geral, não tenho tido ninguém para me aconselhar e dar apoio emocional’; para o EPM de abandono (Esquemas Precoces Mal-adaptativo – o mesmo que EMS), ‘Preocupa-me muito que as pessoas de quem eu gosto encontrem alguém de quem gostem mais e me deixem’; para o EPM de desconfiança/abuso, ‘Costumo sentir que tenho que me proteger dos outros’” (Gouveia & Rijo, 2001).

Outro detalhe importante é que o chamado Questionário de Estilos Parentais também é utilizado. De acordo com Gouveia e Rijo (2001), esse instrumento permite “avaliar a formação de esquemas mal-adaptativos precoces a partir das relações com as figuras parentais, bem como o Questionário de Evitamento e o Questionário de Compensação”. Já por meio destes dois últimos, é possível obter informação acerca dos processos esquemáticos que são mais utilizados pelos pacientes a fim de lidarem com os seus EMS.

Os esquemas dentro do contexto das terapias

De acordo com estudos, as definições de esquema têm sido utilizadas com o intuito de descrever as estruturas mentais responsáveis por integrarem os eventos e atribuem significados a eles. “O esquema funciona como uma espécie de filtro, que seleciona as informações, assimilando, priorizando e organizando aqueles estímulos que sejam consistentes com a estrutura do esquema, e evitando todo o estímulo que não seja consistente com essa estruturação.” (Duarte, Nunes & Kristensen, 2008)

Referências

DUARTE, Aline Loureiro Chaves; NUNES, Maria Lúcia Tiellet; Kristensen. Esquemas desadaptativos: revisão sistemática qualitativa. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, v. 4, n. 1, jun. 2008.

GOUVEIA, José Pinto; RIJO Daniel. Terapia focada nos esquemas: questões acerca da sua validação empírica. Psicologia, Lisboa, v. 15, n. 2, jul. 2001.

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