Transtorno Dissociativo de Identidade

O que é Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI)?

Todos nós já ouvimos falar, pelo menos uma vez na vida, sobre pessoas que vivem com dupla personalidade. A dramaturgia e o cinema já retrataram esses casos, sendo o mais recente mostrado no sucesso hollywoodiano ‘Fragmentado’, em que o protagonista transita entre 23 personalidades diferentes, alternado quimicamente. O problema é que essa variação existe na vida real e é conhecido por Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI).

O que é o Transtorno Dissociativo de Identidade?

Pode-se definir o transtorno como uma condição psicológica severa em que aspectos importantes como memórias, comportamentos, sentimentos e a própria identidade são afetados. O TDI se configura como um processo mental dissociativo responsável pela falta de conexão ao que a pessoa traz em sua personalidade ‘real’.

Mais sério do que parece

Reportagem divulgada pela BBC, em junho de 2017, relatou a história de Melanie Goldwin, cujas declarações revelam a existência de personalidades distintas em sua vida. Segundo a matéria, a identidade de Melanie alterna ora como uma criança de 3 anos de idade ora como uma garota de 16 anos vivendo o auge da adolescência. Além disso, a inglesa pode externar as angústias de uma pessoa que sofre com anorexia e tendências suicidas.

Quais são as causas?

Segundo especialistas, o Transtorno Dissociativo de Identidade é causado por um grande trauma sofrido pela pessoa ainda na infância. Em muitos casos, esses eventos traumáticos são fruto de abusos sexuais, físicos ou psíquicos. Ao passar por essas situações, as crianças começam a desenvolver outras personalidades com o intuito de se defender dessa exposição prejudicial. Esses personagens atuam como objetos de autodefesa para suportar momentos de dor e angústia.

Embora a maioria dos casos estudados seja resultado dessas causas, o especialista Remy Aquarone, com experiência de 30 anos em transtornos dissociativo, afirma que existe outro fator responsável por contribuir com essa complexa condição: a ausência de uma ligação afetiva saudável com um adulto.

Essa ligação atua como um laço em que a criança deposita toda a confiança emocional no adulto que está por perto. Quando esse vínculo é quebrado de forma abrupta, como um abuso, uma negligência e até uma morte repentina da pessoa adulta; o pequeno passa a se ‘defender sozinha’ para superar o momento traumático em que se encontra.

Conflito interno entre as personalidades

A medicina já identificou casos em que uma personalidade toma conhecimento de outra que ‘coabita’ a mesma pessoa. Segundo o psiquiatra Erlei Sassi Júnior (do Ambulatório Integrado de Transtornos de Personalidade e Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo), essas variações agem como “vizinhos morando no mesmo condomínio”. O especialista ressalta que algumas personalidades “podem não gostar dos outros e formar gangues entre si”, preservando as características de cada uma.

Os sintomas mais comuns

O Transtorno Dissociativo de Identidade tem como sintomas mais frequentes os desmaios, a pseudoconvulsão e a amnésia (é comum as pessoas que sofrem com TDI não se lembrarem de suas ações enquanto outra personalidade estiver no controle).

Existe tratamento?

Sim. A psicoterapia é a intervenção mais utilizada para estabilizar os pacientes e garantir sua segurança. O próximo passo é a avaliação das experiências traumáticas, conhecer as diferentes personalidades e o que motiva o aparecimento de tais identidades. A literatura médica não chegou a um consenso acerca dos tratamentos farmacológicos.

Por outro lado, há casos de pacientes que fazem uso de medicamentos que impedem situações iminentes de autoagressão. Lembrando que tudo isso deve ser feito sob prescrição médica e acompanhamento adequado.

 

Dr Clay Brites

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Comments 9

  1. Tenho uma aluna de 5 anos que a todo momento se refere a ela, como uma outra pessoa. O nome dela é Emilly . Quando pede alguma coisa ou conta algum coisa que fez , sempre se refere assim : A Emilly quer água . A Emilly vai no parquinho. Emilly precisa disso.
    Gostaria de saber se isso é normal , ou se preciso encaminha-la para algum especialista. Ela sofreu muito com a separação dos pais . Presenciou agressões fi sicas do pai e da mãe. E hoje tem medida protetiva. O pai não pode chegar perto dela. Preciso de uma ajuda nesse caso, o que posso fazer ?

    1. Adriana Matias
    2. Contudo, a diferença entre o uso do eu e do nome não se deve apenas às
      capacidades mentais da criança, mas deve ser atribuída, também, à linguagem que os
      adultos endereçam a ela. Sully (apud MORGENSTERN, 2006) declara que o fato de a
      criança falar de si na terceira pessoa deve-se à percepção da criança quando o adulto a
      designa pelo nome ou pela terceira pessoa, pois ela, por meio de um processo psíquico,
      imita. É por meio dessa operação de “imitação” que, mais tarde, a criança começa a
      utilizar o eu na primeira pessoa como fazem os adultos. Observemos este trecho em que
      A. (1;8 ano) brinca com a mãe no quarto (A: A., M: Mãe):
      fonte: http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/volumes/39/v2/EL_V39N2_02.pdf

  2. Lilianne Marie,tem que avaliar uma serie de comportamentos ,o ideal seria levar a um bom psicólogo ou psicopedagogo para fazer uma triagem .Pode ser algo genético/ biológico ou psicológico ou um transtorno ,ou simplesmente ainda não entende o desenvolvimento de sua própria identidade. Sugiro trabalhar com ela atividades que envolva a identidade do eu e do outro.Com atividades concretas e lúdicas.

  3. Boa tarde! Muito bacana o conteúdo aqui, expresso. Gostaria de saber se é possível enviar-me material sobre TDI para que eu possa ler, pois tenho um paciente que apresenta sinais do mesmo e em detrimento de uma vida excluído desde a infância, hoje em sua adolescência horas quer ser um adulto outra um Bebê que precisa de cuidados.
    Caso seja possível, ficarei grato!

    Sem mais:

    Roberto Brasil
    Psicólogo/Psicoterapeuta Existencial- Neuropsicólogo

    1. Adriana Matias
  4. Olá,
    Tenho uma amiga com múltiplas personalidades, ela faz tratamento psicológico já, eu gostaria de saber como posso agir pra ajudar ela a voltar a ser ela em um episódio de crise.
    Obrigada

    1. Adriana Matias

      Olá Tenile , por questões de lei não podemos dar nenhuma orientação sem avaliar o caso pessoalmente , mas o correto é falar com profissional pessoalmente .

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