O uso de Metilfenidato no tratamento de crianças e adolescentes com Dislexia e TDAH

Clay Brites
Neuropediatra
Doutorando em Ciências Médicas (UNICAMP)
Integrante do DISAPRE-UNICAMP
Speaker e co-fundador da Neurosaber

 

O metilfenidato (Ritalina, Ritalina LA e Concerta) é uma medicação psicoestimulante que age aumentando os níveis de dopamina e noradrenalina em suas respectivas vias neuronais e tem o efeito de aumentar a atenção seletiva e sustentada e a memorização de pacientes com TDAH. Não é um calmante, nem tranquilizante, nem serve para acalmar quem o usa, mas sim para elevar o nível de alerta e foco em atividades que exigem mais esforço mental, nos quais estas crianças e adolescentes apresentam significativa dificuldade.

Os guidelines e os protocolos internacionais recomendam o uso desta medicação como estratégia de primeira linha no tratamento farmacológico do TDAH1. As pesquisas e acúmulo de evidências mostrando sua eficácia e segurança a médio e longo prazos além da experiência de especialistas da área que o recomendam pelos mesmos motivos de segurança observados na prática clínica.

A associação entre Dislexia e TDAH é comum e pode ocorrer em 60% dos disléxicos. Entre os portadores de TDAH, 15-20% apresentam Dislexia e até 40% destes pacientes tem significativas dificuldades de compreensão de leitura, pobreza na produção textual e inabilidade de planejar e organizar atividades que envolvem leitura, escrita e matemática. Apesar da ciência e as evidências mostrarem que o metilfenidato não apresenta efeito significativo na Dislexia, muitos pesquisadores vem indicando seu benefício significativo naqueles disléxicos que apresentam também TDAH do tipo desatento ou combinado2.

Em artigo publicado recentemente no Journal of Learning Disabilities por grupo de pesquisa de referência em TDAH com Transtornos de Aprendizagem liderada por Rosemary Tannock, esta autora e seus colaboradores mostraram neste estudo com 65 crianças de 7 a 11 anos, portadoras de TDAH e Dislexia, que a associação de intervenções de programas de remedição fonológica com o metilfenidato comparado ao uso de placebo com estas intervenções mostrou-se mais eficaz e com resultados mais amplos na recuperação das dificuldades de leitura e na evolução do tratamento interventivo. A pesquisa concluiu que o uso do metilfenidato é promissora neste grupo de pacientes e pode ser uma estratégia mais indicada e significativa para auxiliar na condução interdisciplinar2.

Este resultado corrobora com as evidências que vem sendo publicadas desde os anos 90 mostrando que a medicação vem ajudando (e muito) a melhorar a evolução escolar em crianças com TDAH não-disléxicos, mas que tem problemas fonológicos, de compreensão de leitura, de memorização de segmentos textuais e naqueles que não conseguem analisar e sintetizar informações nas atividades escritas reduzindo riscos de repetência, evasão e abandono escolar3.

 

Para mais informações, as referências e os links:

1) Pastura G, Mattos P. Efeitos colaterais do metilfenidato.  Rev. Psiq. Clín. 31 (2);100-104, 2004. (link para acessar. )

2) Tannock R e cols. Combined modality intervention for ADHD with comorbid reading disorders : a proof of concept study. J Learn Dis 2016; 1-18.

3) Barbaresi W. J., Katusic S. K., Colligan R. C., Weaver A. L., Jacobsen S. J. (2007). Modifiers of long-term school outcomes for children with attention-deficit/hyperactivity disorder: Does treatment with stimulant medication make a difference? Results from a population-based study. Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics, 28(4), 274–287.

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Comments 30

      1. NeuroSaber Responde
  1. vocês estão de parabéns os profissionais sentem se carentes de conhecimentos nessas áreas, é muito difícil e gera muita responsabilidade trabalhar com peculiaridades da educação de crianças especiais. só tenho a agradecer por todo o conhecimento e ensinamentos que tens passado para nós profissionais.

  2. Boa tarde, sou graduanda do 7 período. E tem muitas pessoas desenformada, caso precisem de ajuda estou disponível.

  3. Esta iniciativa da NeuroSaber caiu como uma luva para pais e profissionais que estão sem saber como lidar com pessoas com necessidades especiais entre outras. Oque aprendi com vocês não aprendi em nenhuma especialização das que fiz. Obrigada por nos proporcionar esse conhecimento onde podemos ajudar outras pessoas. Sou Pedagoga e Psicopedagoga com pouca experiência, e me vejo mais motivada com esse projeto da Neurosaber. Um Grande abraço.

    1. Juliana, sou autora do livro infantil JOÃO AGITADÃO da Ed. Caravansarai e ilustração de Ney Megale que aborda de forma leve e até divertida características do comportamento das crianças hiperativas.

  4. Simtp uma grande felicidade de participar deste momento tão sábio, diante estes esclarecimento sobre sobre transtorno qur afeta tantas crianças. O doutor Clay, esta fe Parabénspeloseutrabalho que esta desenvolvendo ajudando tantas crianças que sofre com essa situação.

  5. Ritalina l a 20mg meu menino começou a tomar ele tem 16 anos mas ele disse q não conseguiu dormir esse remédio tira o sono?

    1. NeuroSaber Responde
  6. Boa tarde Dr. Clay.
    Vejo sempre suas lives e leio muito seu material, pois tenho uma filha com TDHA.
    Só consegui entender sobre o assunto depois de acompanha-lo.
    Com esse entendimento que obtive do TDHA, gostaria de compartilhar com outras pessoas.
    Participo de uma ONG – “Amigos do Bem”, arrecadamos alimentos, roupas, e doamos, gostaria de poder passar este conhecimento pequeníssimo que tenho sobre o assunto com mais pessoas.
    Gostaria de saber se poderia passar mais informações, textos, videos e etc. sobre o assunto para que eu possa montar um material para divulgação.
    Estou iniciando um trabalho para pais, professores e alunos das escolas municipais e estaduais de onde moro, São Caetano do Sul – SP para melhor identificar o TDHA, pois acredito que muitos não sabem identificar.
    Minha filha depois do tratamento com os médicos e com o inicio da RITALINA melhorou muuuuuiiiiiitttooooo.
    Só aceitei que ela tomasse o remédio depois de ver e ler suas matérias.
    Conto com sua ajuda montar este trabalho.
    Fique a vontade para usar meu texto caso queira em seu site, ou qualquer veiculo de comunicação.
    Muito obrigado.
    No aguardo.

    Adolfo Junior
    São Caetano do Sul – SP

    1. NeuroSaber Responde
  7. Minha filha foi diagnosticada com TDAH, iniciou o tratamento com Ritalina e o medicamento não fez efeito… Agora está fazendo uso de tofranil* +nootron*. Fui pega de surpresa, pois geralmente a ritalina funciona muito bem na maioria dos casos. Qual o sua opinião sobre estes medicamentos* Dr.Clay?

    1. NeuroSaber Responde
    1. NeuroSaber Responde
  8. Olá minha filha tem dislexia e déficit de atenção sem hiperatividade . Mesmo sem ter a hiperatividade o uso de ritalina pode ajudar na leitura? Minha neuro diz que não aconselha

    1. NeuroSaber Responde
  9. Boa noite. Meu filho foi diagnosticado com tdah e a médica passou ritalina la 10 mg, um por dia. Vejo tantas coisas negativas a respeito da ritalina ,inclusive comparando à cocaína. Essa droga já está há bastante tempo no mercado?É realmente segura? Meu filho só tem 8 anos. Mas ele tem muita dificuldade na aprendizagem.

    1. NeuroSaber Responde
  10. Boa tarde, tenho uma filha de 10 anos e foi diagnosticada com TDHA aos 7 anos. Ela tomou Ritalina durante 1 ano mais ou menos, e decidi parar porque fiquei com medo das reações, ela demorava para dormir, tinha um sono agitado… ela melhorou bastante com ajuda da fono, mas a profissional acha que ela ainda precisa tomar… estou preocupada.. será que é preciso mesmo dar o medicamento, alguém conhece alguma outra alternativa (natural, etc) para me indicar?
    Obrigada

    1. NeuroSaber Responde
  11. Olá!
    Minha filha foi diagnosticada com transtorno de aprendizagem sem hiperatividade… O Neurologista
    receitou ritalina 10 mg. A psicopedagoga ajudaria também?

    1. NeuroSaber Responde
  12. Por isso para TDAH é recomendado o uso de Ritalina.
    Já vi alguns casos que deram certo.

    Vale a pena avaliar com o médico.

  13. Ja passei por esse sintomas, ate encontrar algum medico que pode me alertar e me indicar alguns remedios. Muito interessante esse artigo .
    Vou indicar para que outras pessoas possam fazer o mesmo.

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