Sinais de Distúrbios de Aprendizagem na Educação Infantil e Pré Escola

A exemplo de outros transtornos de desenvolvimento, como o Autismo e o TDAH, os Distúrbios ou Transtornos de Aprendizagem (TA) devem ser detectados precocemente a fim de reduzir, quão cedo possível, as dificuldades e/ou déficits de pré-requisitos cognitivos nestas crianças para que se encontrem aptas no seu desenvolvimento para iniciarem o processo de aprendizagem da leitura, escrita e matemática. É inquestionável que medidas de detecção precoce de inabilidades para a aprendizagem apresentam um papel crucial no bom andamento e na motivação desta criança para se empenhar em adquirir competências para se alfabetizar.

As pesquisas e as experiências neurocientíficas e neuropsicológicas tem trazido à tona dados que mostram que crianças que apresentaram história familiar de Dislexia, Discalculia e TDAH podem herdar tais condições e apresentarem nos primeiros 5 anos de vida sinais anormais no desenvolvimento que podem sugerir que, futuramente, poderão ter Dificuldades ou Distúrbios de Aprendizagem. Tais sinais podem ser detectados na pré-escola e na educação infantil, devendo ser do conhecimento dos professores e educadores que lidam com esta faixa etária. Observação mais criteriosa deve ocorrer naquelas crianças que tiveram problemas no parto, meningites, atrasos motores e de fala/linguagem, déficits auditivos ou visuais, problemas severos de comportamento e história de epilepsia ou traumas cranianos em idades mais precoces.

Os sinais pré-escolares que devem chamar atenção do professor são a presença de problemas de fala, trocas de reconhecimento visual e auditivo de letras, problemas de coordenação motora, dificuldade para memorizar sequências de letras e números, inabilidade para quebra-cabeças e espacialidade (não consegue perceber e diferenciar longe/perto, dispor em ordem peças de montagem, confunde sequencias visuais, etc.), não consegue ter boa coordenação visuo-motora em atividades bimanuais, hiperatividade (agitação psicomotora excessiva e impulsividade), dificuldade em seguir ritmos nas apresentações lúdicas ou de dança, problemas de sono e de alimentação. Tais sinais se tornam mais significativos em casos de crianças nascidas prematuras e com baixo peso ao nascer e/ou com histórico de tabagismo, alcoolismo e uso de drogas ilícitas na gestação. Outras tarefas que podem ser aplicadas na pré-escola e que ajudam a apoiar esta observação são os testes de habilidades fonológicas, testes de nomeação rápida e de identificação de letras.

Esta vigilância deve ser rotineira. Não significa propriamente que a criança TERÁ um transtorno de aprendizagem, mas PODE revelar risco maior e, assim, sinalizar às escolas ou aos CMEI’s a intervirem com estimulação cognitiva ou psicomotora. Além disto, deve ser encaminhada para avaliação clínica e interdisciplinar a fim de investigar possíveis causas biológicas e/ou ambientais e iniciar um plano estruturado de intervenção ou remedição.

 

Para mais informações, acesse esta referência:

Lange SM, Thompson B.   Early identification and interventions for children at risk for learning disabilities. International Journal of Special Education 2006; 21(3): 108 – 120

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