TOD na adolescência — como lidar?

Se você é pai ou professor, precisa saber como lidar com adolescentes que apresentam Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), seja na escola ou em casa. Descubra como.

Professores, pais e pessoas que trabalham diretamente com adolescentes agressivos e rebeldes ao extremo, podem estar lidando com TOD. Visto que é muito desafiador encontrar formas de lidar com tais comportamentos na adolescência, é fundamental que saibam identificar quando esses sintomas podem representar um transtorno.

Entender o que se passa com o adolescente, é o primeiro passo para encontrar a melhor forma para lidar com ele. TOD ou Transtorno Opositivo Desafiador é o nome que se dá para diagnosticar crianças e adolescentes que apresentam alguns distúrbios de conduta. Tais distúrbios se manifestam em comportamentos disruptivos, que liberam impulsos agressivos.

Seja na escola ou em casa, lidar com esses comportamentos é muito difícil, já que eles prejudicam as relações do adolescente com as pessoas com as quais convive. Criam conflitos com figuras de autoridade e não respeitam regras estabelecidas. Pensando nisso, escrevemos este artigo para que você conheça mais sobre TOD e como lidar com adolescentes com o transtorno.

Como diferenciar comportamentos comuns e sintomas de TOD na adolescência?

Comportamentos de desobediência e rebeldia são comuns em algum momento da vida de crianças e, principalmente, adolescentes. Faz parte do desenvolvimento, testar limites desafiar autoridades, para que encontrem seu lugar no mundo e se posicionem como sujeitos. No entanto, quando esses comportamentos são rotineiros, é preciso entendê-los mais a fundo.

O DSM — Manual Diagnóstico e Estatístico dos transtornos mentais — caracteriza os sintomas de TOD da seguinte forma:

  • perder a calma; 
  • discutir com adultos; 
  • negar-se a obedecer aos pedidos ou regras dos adultos; 
  • fazer coisas que incomodam, gratuitamente, os outros; 
  • culpar os outros por seus erros ou comportamentos inadequados; 
  • ser suscetível à irritação; 
  • ficar enraivecido e ressentido; 
  • ser rancoroso e vingativo.

Podemos dizer que quando esses comportamentos são persistentes ao longo do desenvolvimento, podem significar sintomas de TOD. É muito importante procurar ajuda profissional para fechar um diagnóstico, pois o transtorno traz prejuízos significativos na vida social e escolar do adolescente.

Como lidar com TOD na adolescência?

Se for confirmado o diagnóstico do TOD, é preciso entender como lidar com adolescentes com o transtorno.

Em primeiro, procure identificar quais são as maiores dificuldades do adolescente, as manifestações opositoras e desafiadoras, ou seja, o que ele contraria. Para isso, é preciso o conhecê-lo muito bem, saber o que ele gosta, o seu perfil comportamental, entender como se comporta em casa e na escola.

Se você for um professor, converse com os pais do adolescente, procure saber como conseguem fazer com que ele se siga regras, cumpra as tarefas e rotinas de casa.

Em segundo lugar, nos momentos em que o adolescente estiver com muita raiva, porque foi contrariado e não consegue tolerar isso, espere e deixe a raiva passar. Apenas fique do lado dele, deixe que ele termine de manifestar a raiva que ele não controla. Quando ele se acalmar, sente e converse sobre o que aconteceu, buscando encontrar outras formas de agir, mais vantajosas, nessas situações.

A nossa terceira e última dica é perceber se esse adolescente com TOD apresenta ou não outros sintomas, de outros transtornos. É muito comum três transtornos se associarem ao Transtorno Opositivo Desafiador: o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), Transtorno Bipolar e transtorno do Espectro Autista. 

Caso o adolescente apresente maior agressividade e impulsividade, mais conflitos com outras pessoas, dificuldade nos relacionamentos sociais e baixo desempenho acadêmico, pode ser um sinal dessa comorbidade. É muito importante identificá-la para que o tratamento seja completo e eficaz.

Quais as causas e tratamento do TOD na adolescência?

Determinar as causas do TOD não é uma tarefa fácil, pois elas são complexas e multifatoriais. Fatores de risco podem estar relacionados ao transtorno, como eventos ou características que intensificam as chances de desencadear problemas comportamentais.

Esses fatores se relacionam com questões sociais, biológicas e psicológicas que interagem entre si, contribuindo com o surgimento do transtorno. Vale ressaltar que o diagnóstico só poderá ser feito por um médico especialista.

O tratamento do adolescente com TOD é multidisciplinar, necessita acompanhamento médico, muitas vezes com medicação, psicoterapia, terapia familiar, acompanhamento psicopedagógico e intervenções escolares.

Nem a escola, nem a família, sozinhas, poderão atuar de forma efetiva, sem contar com a ajuda de profissionais especializados. É fundamental esse acompanhamento para que as crianças e adolescentes com TOD possam  se desenvolver e evitar que esse estado se agrave na vida adulta.

Referências:

DA SILVA, Tatiane Cristina. TRANSTORNO OPOSITOR DESAFIADOR – COMO ENFRENTAR O TOD NA ESCOLA. Monografia apresentada ao Instituto A Vez dos Mestre como requisito parcial para a obtenção do título de especialista em Educação Especial e Inclusiva.Rio de Janeiro 2017. Disponível em: https://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/posdistancia/53309.pdf

GREVET, Eugenio Horacio; SALGADO, Carlos Alberto Iglesias; ZENI, Gregory  and BELMONTE-DE-ABREU, Paulo. Transtorno de oposição e desafio e transtorno de conduta: os desfechos no TDAH em adultos. J. bras. psiquiatr. [online]. 2007, vol.56, suppl.1 [cited  2020-04-16], pp.34-38. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852007000500008&lng=en&nrm=iso SSN 0047-2085.  https://doi.org/10.1590/S0047-20852007000500008.

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Comments 1

  1. Por Deus preciso de um especialista em TOD….
    Estou a anos lutando com minha filha mas não encontro alguém para nós ajudar.

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