Transtorno hipercinético – o que é?

O transtorno hipercinético

Vocês por acaso já ouviram falar sobre o transtorno hipercinético? Embora essa condição não seja abordada com tanta frequência em relação às outras, é importante salientar que há muitos anos a comunidade médica desenvolve estudos aprofundados sobre ele. Confiram mais informações abaixo.

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), esse transtorno pode ser definido como um termo genérico para descrever um dos distúrbios infantis mais comuns. Vale ressaltar que é uma das formas mais severas mencionadas nos principais documentos mundiais da área médica, como o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

Relação com o TDAH

Para Cameron & Hill (1996), um detalhe interessante é que esse quadro está incluído em sua totalidade no Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O Transtorno Hipercinético, segundo o CID-10, é um subtipo de TDAH com características e sequelas mais graves.

Segundo Rohde et al. (2000), durante o século XIX já havia menções ao Transtorno Hipercinético na literatura médica. O estudo diz ainda que “entretanto, sua nomenclatura vem sofrendo alterações contínuas. Na década de 40, surgiu a designação ‘lesão cerebral mínima’, que, já em 1962, foi modificada para ‘disfunção cerebral mínima’, reconhecendo-se que as alterações características da síndrome relacionam-se mais a disfunções em vias nervosas do que propriamente a lesões nas mesmas.”

Transtorno hipercinético e grupos de sintomas

O que muitas pessoas desconhecem é que o transtorno hipercinético está presente em três grupos sintomatológicos. Eles são a hiperatividade, a desatenção e a impulsividade.

– A hiperatividade nesse caso é caracterizada como algo que causa na criança uma inquietação facilmente perceptível. Além disso, o pequeno tende a falar de maneira excessiva e barulhenta.

– A desatenção normalmente se refere às dificuldades e aos problemas de atenção sustentada. Importante relembrar que isso resulta em erros por descuidos, dificuldade para seguir orientações de tarefas (sobretudo se a atividade exigir um esforço cognitivo maior). Com isso, esses afazeres costumam ser deixados pela metade.

– A impulsividade é caracterizada pela disposição da criança em não esperar pela sua vez de falar ou agir em determinadas situações que pedem ordem, interromper a fala de outras pessoas, conversar de forma excessiva (sem perceber que o interlocutor está pouco interessado), etc. As coisas geralmente são feitas de maneira abrupta e sem que a pessoa se dê conta dos perigos existentes.

Quais são os critérios para o diagnóstico?

Importante salientar que para o diagnóstico clínico do transtorno hipercinético, os médicos tentam identificar anormalidades tanto na hiperatividade quanto na desatenção, principalmente quando comparadas a crianças que não demonstram tais características.

Outra informação que deve ser considerada é o fato dessa investigação também partir de três eixos para consolidar as suspeitas da existência do transtorno hipercinético: pelo menos seis sintomas relacionados à desatenção, três dos fatores de hiperatividade e um sintoma de impulsividade (CAMERON & HILL, 1996). Além disso, o estudo britânico revela que a idade antes da qual os sinais devem ser evidentes é por volta dos 7 anos.

A diferença do diagnóstico do Transtorno Hipercinético e o TDAH

Embora os sintomas sejam praticamente os mesmos, os critérios na hora do diagnóstico se distinguem. Enquanto os mesmos eixos dos transtornos referidos sejam utilizados para objetivos de estudo; no TDAH, quando o assunto é o diagnóstico, as anormalidades precisam estar em apenas um dos eixos e não em todos (como a desatenção e a hiperatividade).

Isso lança luz para o que uma linha de investigação sugere: diferente do Transtorno Hipercinético, o TDAH é responsável por definir um padrão mais brando e uma categoria mais ampla.

Referências

CAMERON, Mary; HILL, Peter. Hyperkinetic disorder: assessment and treatment. Advances in Psychiatric Treatment, v. 2, p. 94-102. 1996.

ROHDE, Luis Augusto et al. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, n. 2, dez. 2000.

 

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Comments 6

  1. Olá… sou professora e tenho um aluno hipercinetico… quais atividades que seriam de boa intervenção a esse aluno… primeiro ano…

    1. Suporte Neurosaber
    1. Suporte Neurosaber
  2. Boa noite, como saber se meu filho tem TOD ou se é só agitação da idade ?
    Ele está agressivo demais, fala muito alto, não aceita muito ajuda nos afazeres escolar . Me ajudem!!!11
    Ele tem 6 anos.

    1. Suporte Neurosaber

      Olá Denise,tudo bem ? Sem avaliação não podemos dar uma orientação precisa sobre caso . É importante buscar um especialista para lhe dar melhores informações e orientação para uma intervenção.De qualquer forma , temos conteúdos no youtube.com/neurosabervideos e também em nosso blog que podem te ajudar em muitas questões.

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