Vício em games agora é considerado distúrbio mental pela OMS

O que antes era considerado um hábito normal, agora é reconhecido como um distúrbio mental, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a OMS. Pela primeira vez, o órgão vai considerar o vício em jogos uma doença.

A 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID) incluirá o “distúrbio de games” como uma condição que consiste em uma pessoa cuja frequência em jogos provoque uma visível mudança comportamental, ocasionando na preferência por games em detrimento de outras atividades.

Importante lembrar que antes de a OMS decidir pela inclusão do vício em jogos na CID, outros países já haviam acendido o sinal amarelo para que tal predileção excessiva pelos games se tornasse um assunto de saúde pública. Um exemplo a ser citado é o Reino Unido, que já conta com clínicas de reabilitação em pacientes com esse distúrbio.

Mas como saber se a pessoa é viciada, de acordo com os critérios da OMS?

É preciso ter muita cautela em relação a isso para não haver equívocos. O documento vai sugerir que comportamentos ligados ao vício em jogos devem ser observados em um período de 12 meses ou mais para que seja dado o diagnóstico. No entanto, as novas recomendações da CID podem diminuir esse prazo, caso os sintomas apresentados pela pessoa sejam muito graves.

Quais são os possíveis sintomas do distúrbio em games?

– Dar prioridade aos jogos eletrônicos em vez de outras atividades, como se reunir com amigos, ir a uma festa, praticar esportes;
– Perder a noção da frequência e intensidade diária que é depositada nos games;
– Persistir no hábito de jogar mesmo com sinais de que tal atitude pode piorar a dependência e o convívio com familiares e amigos;
– Trocar a companhia de pessoas pelos jogos.

O que profissionais têm a dizer?

O especialista em vícios em tecnologia, Richard Graham, do Hospital Nightingale, em Londres, afirma que há benefícios em tal decisão. Ele chama a atenção para o fato de tal reconhecimento mostrar que esse comportamento precisa ser levado a sério. Graham salienta também que a inclusão do distúrbio na CID favorecerá a ampliação de serviços especializados para tratar os casos que serão levados aos consultórios.

No entanto, o especialista alerta para que pais e responsáveis saibam ponderar na hora de observar a atitude de seus filhos, ou seja, analisar com cautela para saber diferenciar um vício de uma eventual empolgação pelos eletrônicos. Para Graham, uma maneira de discernir um do outro (e diagnosticar) é fazer a seguinte pergunta: “o vício está dominando o estado real neurológico, o pensamento e as preocupações?”.

A tecnologia é uma ameaça?

Não, de forma alguma. A tecnologia veio para agregar e nos auxiliar, sobretudo as crianças. Uma pesquisa realizada na Universidade de Oxford mostra que apesar de as crianças ficarem muito tempo ligadas aos eletrônicos, isso não significa um vício, propriamente dito.

De qualquer maneira, é preciso estabelecer um limite para seu filho, separando o momento dos jogos eletrônicos, dos deveres da escola, das brincadeiras em grupo, entre outras atividades.

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Comments 6

  1. Gostei da matéria, penso que daqui há algum tempo a televisão será incluída(já deveria) pois assim como o game possui esses aspectos citados acima,a TV tambem tem.

  2. Achei interessante,ainda não tinha lindo artigo sobre esse assunto…
    É bom fazer essa abordagem, para alertar família para saber indentificar o que é vício ou apenas empolgamento…

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